Criança de 2 anos que morreu após ser levada ao IJF pela mãe não sofria maus-tratos, revela laudo

A menina tinha manchas roxas no corpo decorrentes de uma embolia causada por uma síndrome hemorrágica. À época, a mãe da menina foi acusada de ter envolvimento na morte da filha

Escrito por Matheus Facundo matheus.facundo@svm.com.br
20 de Agosto de 2025 - 12:45
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A causa da morte da criança de dois anos que faleceu em março após ser levada pela mãe ao Instituto Doutor José Frota (IJF), em Fortaleza, foi uma embolia pulmonar causada por uma síndrome hemorrágica, segundo o laudo cadavérico, e não houve maus-tratos e nem marcas de agressão. À época, a mãe e o companheiro foram acusados de maltratar a menina, pois ela apareceu no hospital com marcas roxas, mas, conforme os exames, os roxos foram por conta da coagulação do sangue da garota. 

O Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) solicitou o arquivamento do inquérito policial contra a mãe, e a última movimentação do caso foi em 4 agosto, segundo documentos aos quais o Diário do Nordeste teve acesso nesta quarta-feira (20). Atualmente, a Justiça aguarda a Polícia Civil devolver o celular apreendido durante as investigações para arquivar o caso. 

 "A perícia faz consignar que diante dos achados, não há elementos para caracterizar maus-tratos, uma vez que não há lesões traumáticas que ocasionassem ou concorressem para o evento morte. Não há lesões traumáticas no crânio, pescoço, tórax ou abdome que cursassem com o evento morte", revelou laudo. 

O caso ganhou repercussão negativa para a mãe após uma campanha nas redes sociais acusá-la de ter envolvimento na morte da menina de dois anos. Ela e o companheiro foram levados à delegacia após a equipe do IJF desconfiar de maus-tratos e acionar a Guarda Municipal de Fortaleza (GMF). 

"Isso decorreu em um prejuízo emocional na família sem precedentes. A família ficou com medo de circular nas ruas. Nesse período, a família não fez nem a missa de sétimo dia da criança, pois ficaram com medo da presença ostensivas de pessoas".
Martír Silva
Advogada

A mãe da criança recebeu uma série de ameaças nas redes sociais e chegou a ser demitida dos dois empregos onde dava aula de dança para crianças. A jovem ainda está em "sofrimento profundo". 

"Ela ainda não está totalmente curada. Primeiro que ela ainda está vivendo o luto da filha, porque são só 5 meses da perde, de uma morte súbita, e por uma doença que ela não sabia que a filha tinha", relata a advogada. 

Ameaças nas redes sociais foram denunciadas 

Conforme Martír Silva, uma notícia-crime por crimes de ameaça nas redes sociais foi feita no MPCE. A vítima, mãe da criança, chegou a ser atendida por um núcleo de atendimento a vítimas de violência, pois se encontrava em uma situação vulnerável e se sentindo ameaça. 

"Isso vai ser motivo de abertura de inquérito policial para apurar o crime cibernético. Uma informação falsa pode destruir a vida das pessoas", reforçou a defesa. 

Segundo a advogada, o Instagram criado para "pedir justiça para a criança" foi criado por uma pessoa ligada ao pai da menina. Nas semanas seguintes à morte, diversas postagens difamando a mãe e a família materna chegaram a ser publicadas. 

Relembre o caso 

No dia 8 de março, uma mulher e seu companheiro foram conduzidos à delegacia em Fortaleza após a equipe médica do IJF desconfiar que maus-tratos causaram a morte de uma criança de dois anos. O casal levou a criança desacordada ao hospital neste sábado (8), e ela não resistiu às tentativas de reanimação. 

A unidade de saúde acionou a Guarda Municipal de Fortaleza (GMF), que levou a dupla à Delegacia de Defesa da Mulher (DDM). 

Em fevereiro, a criança havia sido atendida na Unimed Fortaleza, onde havia também foi constatada uma situação suspeita. Entretanto, o laudo cadavérica descarta essa suspeita. Por nota, a unidade de saúde informou que "todos os casos flagrantes ou suspeitos de violência são devidamente comunicados aos órgãos competentes".

"Nessas situações, os profissionais da unidade hospitalar mobilizam a Comissão de Atendimento e Prevenção aos Maus Tratos em Crianças e Adolescentes do hospital, que inicia o Protocolo Uniluz, acionando o Conselho Tutelar, a Delegacia de Combate à Exploração da Criança e do Adolescente (DCECA) e o Ministério Público. Os documentos e laudos elaborados durante o atendimento são encaminhados para apuração das autoridades", indicou o hospital. 



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