CNJ cobra Justiça do Ceará e Governo do Estado por caso de jardineiro preso por 10 anos sem processo

O caso foi revelado primeiramente pelo Diário do Nordeste. Cícero passou quase 5.500 dias preso

Matéria por  Agência Estado/ Diário do Nordeste
17 de Abril de 2021 - 16:10
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Depois que vieram a público as primeiras notícias sobre a soltura do jardineiro Cícero José de Melo, que passou 10 anos preso na Penitenciária Industrial Regional do Cariri, em Juazeiro do Norte (CE), sem responder a nenhum processo, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) decidiu cobrar esclarecimentos da Justiça do Ceará e do Governo do Estado sobre os mecanismos para controle da população carcerária no Estado.

O caso foi revelado primeiramente pelo Diário do Nordeste, em publicação no dia 9 de abril último. Cícero passou ficou prezo, de dezembro de 2010 ao início deste ano  por um suposto crime do qual, agora, o TJCE informa não haver registros processuais em aberto. No período, Cícero buscou que alguém acreditasse na sua inocência. Dizendo, de dentro da prisão, que ele não tentou matar ninguém.

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Em ofícios enviados no início da semana ao desembargador Henrique Jorge Holanda Silveira, supervisor do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário (GMF) do tribunal cearense, e ao secretário de Administração Penitenciária (SAP), Luis Mauro Albuquerque Araújo, o juiz Luís Geraldo Sant’Ana Lanfredi, auxiliar da Presidência do CNJ, pede um ‘pente-fino’ nas detenções.

Veja as informações solicitadas pelo CNJ:

  • Listagem com todas as pessoas privadas de liberdade organizada por local de encarceramento, contendo identificação, datas da prisão, audiência de custódia e de eventual reavaliação judicial da necessidade de manutenção da detenção, número do inquérito ou processo judicial, natureza da prisão, autoridade que determinou a detenção, local de internação com indicação da quantidade de vagas, de internos e as datas das inspeções judiciais feitas nos últimos cinco anos;
  • Medidas de fiscalização e controle adotadas pelo Tribunal de Justiça do Ceará na esteira da desativação de penitenciárias no Ceará;
  • Plano de desativação das unidades prisionais e medidas adotadas para as transferências dos detentos;
  • Políticas judiciais implementadas pelo Tribunal de Justiça do Ceará para melhoria do Sistema Penitenciário do Estado;
  • Medidas adotadas para atender às recomendações das Nações Unidas e do Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura;
  • Melhorias estruturais feitas no Sistema Prisional nos últimos cinco anos;
  • Possíveis inconsistências em dados do Cadastro Nacional de Inspeção em Estabelecimentos Penais (CNIEP);
  • Medidas adotadas, inclusive planos de trabalho, projetos e outras iniciativas em execução ou em fase de estudos no âmbito do Poder Judiciário do Estado, para evitar que situações semelhantes a de Cícero José de Melo se repitam;
  • Cópia do procedimento administrativo ou judicial que mandou soltar o jardineiro e um diagnóstico das dificuldades estruturais que levaram à prisão dele por mais de 15 anos ‘sem justo título judicial que justificasse a medida’.

Em 2019, uma equipe do Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura esteve em missão no Ceará para fiscalizar as instalações de privação de liberdade e já apontava a falta de controle da gestão prisional como um problema estrutural. O relatório produzido a partir das visitas indicou, por exemplo, superlotação, transferências indiscriminadas sem envio de informações básicas ao Judiciário ou comunicação às famílias das pessoas presas e atrasos em audiências de custódia.

O painel de dados do CNJ sobre as inspeções penais em estabelecimentos prisionais ainda mostra que o Ceará lidera o ranking dos Estados com mais unidades sem registro de fiscalização: são 114.

O Tribunal de Justiça do Ceará respondeu que "nos casos em que envolve comunicação oficial, o Tribunal de Justiça do Ceará expressa-se formalmente aos órgãos do Judiciário brasileiro".



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