Carro com R$ 1,5 milhão viajou do Ceará à Rocinha para pagar crimes cometidos pelo CV

Pagamento foi feito pelo 'serviços' de interferência na eleição municipal de Santa Quitéria, onde eleitores foram comprados com drogas, e políticos e apoiadores foram ameaçados

Matéria por  Carol Melo Matheus Facundo  e  Messias Borges
03 de Junho de 2025 - 13:01
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Após os crimes cometidos pela facção Comando Vermelho (CV) para interferir na eleição municipal em Santa Quitéria, no Interior do Ceará, um carro da marca Mitsubishi contendo R$ 1,5 milhão em dinheiro saiu do município cearense e foi levado à comunidade da Rocinha, no Rio de Janeiro, para pagar os "serviços". A informação foi desvendada pela Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE), segundo o Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) informou nesta terça-feira (3). 

Conforme o subprocurador geral jurídico do MPCE, Plácido Rios, o grupo criminoso tem "interesses financeiros" e de "estabelecer domínios sob regiões". Ele revela que o veículo que saiu do Ceará chegou ao RJ rapidamente, em cerca de um dia. 

"[Sobre] esse veículo se tinham informações que levava em dinheiro R$ 1,5 milhão. Esse veículo foi entregue lá a um dos principais responsáveis por esses atos em Santa Quitéria, que recebeu como pagamento o carro e esses valores, por parte dos trabalhos que foram feitos em Santa Quitéria, na ajuda a esse candidato que logrou êxito nas eleições", explica o subprocurador. 

O Diário do Nordeste apurou que o principal responsável por dar as ordens em Santa Quitéria, e recebedor da quantia milionária, foi Anastácio Paiva Pereira, o Doze, um dos chefes de uma facção que comanda o tráfico de drogas em Santa Quitéria. 

No último sábado (31), uma operação conjunta das Polícias Civis do Rio e do Ceará mirou os chefes cearenses do CV que estariam escondidos na Rocinha. A força-tarefa chegou a uma mansão de luxo que seria de Anastácio.

Durante a operação, somente dos indivíduos alvo com mandado de prisão em aberto foi capturado, porém, o nome dele não foi divulgado. 

Compra de votos e ameaças 

A operação, que integra as polícias cearense e carioca, além do MPCE e do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), descobriu que durante as eleições do ano passado, membros do Comando Vermelho teriam comprado votos dos cidadãos para os então candidatos Braguinha (PSB) e de Gardel Padeiro (PP), que inclusive venceram a eleição, mas já tiveram os diplomas cassados por abuso de poder político e econômico no início de maio. 

Os criminosos do CV teriam dado drogas a possíveis eleitores e ameaçado adversários políticos e apoiadores, conforme as investigações. Há indícios ainda de que o método também tenha sido adotado nas eleições de 2020.

"A interferência no processo eleitoral de Santa Quitéria se deu mediante ao constrangimento dos candidatos adversários, inclusive ameaçando as pessoas que afixavam imagens publicitárias dos candidatos adversários, reprimindo qualquer ato de livre manifestação eleitoral, como carreatas, passeatas, manifestação de reuniões. Tinha ameaças de mortes às pessoas, chegando a atirar em muros de casas, e ameaças os servidores da Justiça Eleitoral sobre destruir o cartório eleitoral", detalhou Rios em coletiva. 



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