Mais de R$ 46,9 mi são destinados pelo governo federal a obras do Cinturão das Águas do Ceará
Quantia será destinada à continuidade das obras dos lotes 3 e 4 em solo cearense
Mais de R$ 46,9 milhões foram repassados pelo Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR) para continuidade das obras dos lotes 3 e 4 do Cinturão das Águas do Ceará (CAC) na última segunda-feira (19). Atualmente, o lote 3 está com 32% das obras concluídas, enquanto o 4 está com 11,05%.
Segundo informações do Governo do Estado do Ceará, a previsão de conclusão das obras é para 2024. Dessa forma, o lote 3 teria função emergencial para a região do Cariri, por conta da fraca recarga nos aquíferos que alimentam poços profundos na região metropolitana.
Enquanto isso, o lote 4 também tem caráter emergencial, com deságue no Rio Cariús e com objetivo de alimentar o Açude Orós, suportando a segurança hídrica da região.
Ainda na manhã desta terça-feira (20), o presidente Jair Bolsonaro utilizou as redes sociais para fazer o anúncio do repasse.
"O Governo do Brasil liberou mais R$ 46,9 milhões para as obras do Cinturão das Águas do Ceará. É o terceiro repasse apenas este ano para o empreendimento, que é essencial para garantir segurança hídrica de mais de 4,5 milhões de pessoas no Estado", escreveu.
O total de repasses neste ano totaliza R$ 93,5 milhões. Em março passado, foram destinados R$ 15 milhões e em junho último, R$ 31,6 milhões. No total, o governo federal já investiu cerca de R$ 1,2, segundo a pasta.
Cinturão das Águas
O objetivo do Cinturão das Águas é proporcionar uma aproximação maior da água do Projeto São Francisco com os municípios da bacia hidrográfica de Salgado.
Além disso, outro benefício seria aumentar a garantia hídrica do abastecimento de municípios da região do Alto Jaguaribe, por meio de sistemas do Programa Malha D'Água.
O CAC, em sua primeira etapa, vai ligar o reservatório de Jati, que recebe no Ceará as águas oriundas do São Francisco, até o rio Cariús, em Nova Olinda. O percurso total em canais, tuneis, sifões e tubulações é de 145,3 km.
O trecho emergencial entre Jati e Missão Velha, concluído, é de 53 km. A obra segue em Missão Velha, Barbalha e Crato em direção à Nova Olinda.
“Os açudes de Orós e Castanhão estão entre os maiores reservatórios de água do estado do Ceará e irão receber as águas do Cinturão” afirmou o secretário Nacional de Segurança Hídrica do MDR, Sérgio da Costa.
O trecho emergencial (lotes 1 e 2), concluído em fevereiro, já está em operação e faz a transposição de água para o riacho Seco, saindo do leito natural até o rio Salgado, rio Jaguaribe e açude Castanhão. O percurso total é de 350 km.
Elevação do lençol freático
O secretário de Agricultura de Iguatu, Venâncio Vieira, disse que produtores rurais aguardam com expectativa a conclusão das obras do CAC, que vai perenizar os leitos dos rios Cariús e Jaguaribe.
“Essa água vai contribuir para elevar o lençol freático e trazer segurança hídrica para os produtores de banana e de outras culturas agrícolas na região”, frisou. “É bom saber que a obra do CAC continua”.
O açude Orós é estratégico para abastecimento de água das cidades do Vale do Médio Jaguaribe, além da manutenção de pescado, plantio de arroz, banana e capineiras, além da criação de gado leiteiro, na região.
O fruticultor, José Alves, mostrou otimismo com o projeto. “No verão, os poços perdem volume, secam, e com a água vinda do São Francisco, esse problema será ser resolvido”, espera. “Vamos poder produzir mais”.
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