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Zélia Mota, Moema São Thiago e Alacoque Bezerra: quem são as pioneiras no parlamento cearense

Por mais que as mulheres sejam maioria no eleitorado brasileiro, a representação delas nos parlamentos é ínfima

Escrito por Luana Severo luana.severo@svm.com.br
10 de Março de 2022 - 08:00
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Legenda: Alacoque Bezerra, Maria Zélia Mota e Moema São Thiago são pioneiras no Poder Legislativo no Ceará
Foto: Arte: Louise Eugênio

Maria Zélia Mota, Moema São Thiago e Alacoque Bezerra: essas foram as três mulheres que primeiro conseguiram ocupar, pelo Ceará, os cargos de deputada estadual, deputada federal e senadora, respectivamente. Estudadas e de família com envolvimento político, elas se destacaram no Legislativo pela dedicação às pautas sociais, feministas e de educação

As parlamentares se arriscaram na disputa política nas décadas de 1970 e 1980, em meio à redemocratização do Brasil, período em que, embora mulheres não tivessem incentivo para ocupar espaços de poder, elas estavam lutando para se inserir nos cargos mais altos — foi nessa época, por exemplo, que Fortaleza elegeu a primeira prefeita de uma capital brasileira. 

Nesta última matéria da série “As pioneiras do poder no Ceará”, o Diário do Nordeste conta um pouco das histórias de Maria Zélia, Moema e Alacoque e traça os desafios enfrentados por suas sucessoras na garantia da devida representatividade feminina no poder Legislativo.

Maria Zélia Mota 


Zélia Mota, ou Dona Zélia, como costumava ser chamada, nasceu em Fortaleza, mas se estabeleceu profissionalmente como tabeliã em Itapajé.  

Antes de se tornar a primeira deputada estadual do Ceará, seus irmãos, Raimundo e José, já haviam ocupado o mesmo cargo no parlamento cearense e já tinham, de certa forma, angariado capital político para a família. Porém, blogs informativos sobre Itapajé asseguram que a votação expressiva dela — em grande parte, de mulheres — foi conquistada por mérito próprio, por sua relação com a cidade. 

Maria Zélia Mota foi a primeira mulher eleita deputada estadual no Ceará.
Legenda: Maria Zélia Mota foi a primeira mulher eleita deputada estadual no Ceará.
Foto: Divulgação
 

O mandato de Zélia durou quatro anos, entre 1975 e 1978, e foi focado em pautas sociais, sobretudo aquelas ligadas às pessoas economicamente desfavorecidas. Na Assembleia Legislativa do Ceará (AL-CE), ela foi, ainda, a terceira-secretária da mesa diretora da Casa, chegando a presidir o colegiado quando o presidente à época não podia comparecer às sessões.

Moema São Thiago 


Sobrinha de Flávio Marcílio, que foi deputado federal e vice-governador do Ceará pelo PTB, Moema nasceu em Formiga, no interior de Minas Gerais, e veio estudar no Estado. 

Ela se formou em Direito pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e foi lá que começou sua militância política como líder estudantil. Em 1969, devido à militância, que o regime militar vigente considerava “distante” das atividades universitárias, ela foi obrigada a interromper o curso.

Depois disso, em vez de se afastar da política, Moema entrou para a organização clandestina de esquerda Ação Libertadora Nacional (ALN), liderada por Carlos Marighella, e atuou no eixo Rio-São Paulo. Teve, por causa disso, de passar alguns anos exilada no Chile, na Argentina, em Cuba e em Portugal. 

Moema São Thiago ajudou a fundar o PDT.
Legenda: Moema São Thiago ajudou a fundar o PDT.
Foto: Divulgação

Em 1979, de volta ao Brasil, Moema ingressou, de fato, na política, sendo uma das fundadoras do Partido Democrático Trabalhista (PDT). Na sigla, ela atuou como secretária geral da executiva estadual e também como integrante da executiva nacional. 

A política chegou a se candidatar à prefeitura de Fortaleza em 1985, mas perdeu o pleito para a professora universitária Maria Luiza Fontenele, então do PT, a primeira mulher eleita prefeita de uma capital brasileira.

No ano seguinte, em 1986, Moema se candidatou a deputada federal e ganhou com votação expressiva, a segunda maior do Estado. Sua campanha foi baseada na defesa dos direitos da mulher

Na Câmara Federal, dentre outras coisas, ela foi favorável ao rompimento das relações diplomáticas do Brasil com países com política de discriminação racial e à limitação do direito de propriedade privada. 

Alacoque Bezerra 


Chamada de “madrinha de Juazeiro do Norte”, onde nasceu, Alacoque foi a primeira senadora pelo Ceará.  

Alacoque Bezerra é chamada de
Legenda: Alacoque Bezerra é chamada de "madrinha de Juazeiro do Norte", onde nasceu. Foi a primeira mulher a ocupar o cargo de senadora pelo Ceará.
Foto: Divulgação

Ela era irmã de políticos conhecidos como Adauto Bezerra, ex-governador do Estado; Humberto Bezerra, ex-vice-governador, e Orlando Bezerra, ex-deputado federal. Também era tia do ex-prefeito de Juazeiro, Arnon Bezerra. Faleceu em 2012 de complicações cardíacas. 

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