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Videochamadas com aliados e postagens com filhos influenciaram prisão de Jair Bolsonaro

Ex-presidente participou de atos contra Alexandre de Moares e o STF por meio de ligações em vídeo com outros líderes partidários, entre eles os deputados André Fernandes (PL-CE) e Nikolas Ferreira (PL-MG)

Escrito por Lucas Monteiro lucas.morais@svm.com.br
04 de Agosto de 2025 - 20:21 (Atualizado às 22:05)
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Legenda: Bolsonaro participou, em silêncio, de atos contra o poder judiciário no domingo (3)
Foto: Reprodução / Redes sociais

Uma série de postagens produzidas para redes sociais durante as manifestações contra o ministro Alexandre de Moraes e o Supremo Tribunal Federal (STF), nas quais o ex-presidente Jair Bolsonaro participou remotamente, fundamentou a decisão do relator do caso, que determinou a prisão domiciliar do líder bolsonarista na noite desta segunda-feira (4), em resposta aos ataques direcionados a ele pelos manifestantes.

Entre os materiais veiculados nas redes estão um discurso de Bolsonaro postado pelo filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que foi posteriormente apagado pelo congressista. Em razão das medidas cautelares impostas por Moraes, o ex-presidente está proibido de usar redes sociais, direta ou indiretamente.

“Boa tarde Copacabana, boa tarde meu Brasil, um abraço a todos. É pela nossa liberdade, estamos juntos. Obrigado a todos, é pela nossa liberdade, pelo nosso futuro, pelo nosso Brasil. Sempre estaremos juntos! Valeu!”, disse Bolsonaro na postagem publicada pelo filho, onde aparece sentado, com a tornozeleira eletrônica visível.

“Posteriormente, também em 3/8/2025, após o Senador FLÁVIO NANTES BOLSONARO ter divulgado nas redes sociais a participação de JAIR MESSIAS BOLSONARO na manifestação, também foi noticiado que o Senador apagou a postagem em um claro intuito de omitir o descumprimento das medidas cautelares praticado por seu pai”, diz um trecho da decisão, que tem 25 páginas.

Ação de Nikolas Ferreira durante manifestação colaborou com decisão pela prisão domiciliar do ex-presidente Bolsonaro
Legenda: Ação de Nikolas Ferreira durante manifestação colaborou com decisão pela prisão domiciliar do ex-presidente Bolsonaro
Foto: Reprodução

Além de Copacabana, no Rio de Janeiro, Jair Bolsonaro participou por videochamada com o deputado federal André Fernandes (PL), em uma manifestação em Fortaleza (CE). O parlamentar exibiu o celular para mostrar o aliado aos apoiadores que se reuniram na Praça Portugal, que ficou em silêncio durante a transmissão. O ex-presidente também apareceu em cidades como Belo Horizonte (MG) e Salvador (BA).

Na Avenida Paulista, o deputado Nickolas Ferreira disse em tom ameaçador que o STF “não está acima do Brasil”. “Bolsonaro não pode falar, mas pode ver”, disse ele, exibindo o rosto de Jair Bolsonaro aos manifestantes. “É sua forma, mesmo estando preso dentro de casa”, afirmou durante o discurso.

Nikolas Ferreira se manifesta contra prisão domiciliar de Jair Bolsonaro

Aplaudido pelos presentes, Nikolas disse que “o clima está diferente, está diferente porque eles achavam que nós íamos desistir. O STF não está acima do Brasil”. Em Belém, foi a mulher de Bolsonaro e ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que conduziu o ato contra o Poder Judiciário, em cima de um trio elétrico.

"Irregularidade isolada"

Em 24 de julho, a equipe jurídica do ex-presidente teve de se manifestar após Alexandre de Moraes pedir esclarecimentos sobre a divulgação de falas de Bolsonaro durante um encontro com lideranças do PL na Câmara dos Deputados, onde mostrou pela primeira vez a tornozeleira eletrônica.

O relator do caso afirmou que a ação foi uma "irregularidade isolada", deixando de "converter as medidas cautelares em prisão preventiva". Entretanto, o ministro advertiu que, "se houver novo descumprimento, a conversão será imediata".

Na época, o magistrado disse na decisão que o ex-presidente poderia ser responsabilizado pela "utilização dolosa de redes sociais de terceiros (“milícias digitais”, apoiadores políticos previamente coordenados e combinados, outros investigados) para a perpetuação da conduta criminosa".

Acusado de Golpe de Estado

O ex-presidente Jair Bolsonaro é acusado de liderar um plano de golpe de Estado após perder as eleições presidenciais de 2022 contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na ação penal, Bolsonaro é réu no chamado “núcleo principal” da trama golpista, que tem previsão de julgamento para ocorrer até setembro deste ano.

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