Vice-presidente do PT defende irmãos Brazão, acusados de matar Marielle Franco; Anielle reage

Em rede social, ele declarou que não existem provas do crime contra eles

Matéria por  Redação
10 de Janeiro de 2025 - 08:17
capa da noticia

Washington Quaquá, vice-presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) e prefeito de Maricá (RJ), publicou uma foto no Instagram, nessa quinta-feira (9), ao lado da esposa e dos filhos de Domingos Brazão — réu no processo que apura o assassinato da vereadora Marielle Franco. Na postagem, ele defendeu a inocência de Domingos e do irmão, o deputado federal Chiquinho Brazão.

Na imagem, aparecem Alice Paiva (esposa de Brazão), Kaio Brazão (enteado de Brazão) e outras pessoas. No início do texto publicado, Quaquá escreveu: “Recebi aqui com muita dor no coração, mas muita consideração e solidariedade, a esposa e os filhos de Domingos Brazão”.

Em seguida, ele saiu em defesa dos irmãos Brazão: "Não há sequer uma prova contra eles. E a verdade, a realidade é que usaram a família Brazão de bucha de canhão para ocultar, inclusive, o fato de que o assassino brutal esteve um dia depois no condomínio onde moram Bolsonaro e seu filho. Isso foi deixado de lado pela investigação!".

Irmã de Marielle, ministra reage ao post

A publicação causou reação da ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, irmã de Marielle. Após a publicação do vice-presidente nacional do PT, ela definiu a situação como "inacreditável" e afirmou que vai acionar a comissão de ética do partido para apurar a postura do dirigente partidário. Ele, segundo Anielle, "se utiliza desse caso de maneira repugnante e que é contra a postura do próprio governo e do partido".

“Eu quero afirmar o que já afirmei diversas vezes, porque não só conheço Domingos e Chiquinho Brazão, mas, além disso, li todo o processo e não há sequer uma prova contra eles!”, rebateu o prefeito.

Por fim, Aniele ainda fez um pedido: "Tirem o nome da minha irmã da boca de vocês!".

Caso Marielle

Marielle Franco.
Legenda: Marielle Franco.
Foto: Márcia Foletto/Agência O Globo

Marielle Franco, vereadora pelo Psol, foi assassinada no bairro do Estácio, no Rio de Janeiro, na noite de 14 de março de 2018. Ela voltava de um encontro de mulheres negras na Lapa quando o carro em que estava ser alvejado com vários disparos. O motorista dela, Anderson Gomes, também foi atingido.

As investigações da Polícia Federal apontam que os irmãos Brazão encomendaram a morte de Marielle devido às disputas territoriais na Zona Oeste do Rio. Chiquinho e Domingos estão presos preventivamente na penitenciária federal em Porto Velho.

Ainda segundo as investigações, o assassinato de Marielle estaria relacionado ao posicionamento contrário da parlamentar aos interesses do grupo político liderado pelos irmãos Brazão, que têm ligação com questões fundiárias em áreas controladas por milícias no Rio.

O crime deu início a uma complexa investigação, envolvendo várias instâncias policiais. Depois de muitas reviravoltas, chegou-se à prisão dos ex-PMs Ronnie Lessa e Élcio Queiroz. Em 2024, foram presos os irmãos Brazão, além do ex-chefe da Polícia Civil Rivaldo Barbosa. O processo que envolve os supostos mandantes tramita no STF.

Ronnie e Élcio foram condenados, em outubro de 2024, pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, por duplo homicídio triplamente qualificado com motivo torpe, emboscada e dificuldade em garantir a defesa da vítima. Além disso, receberam sentença pela tentativa de homicídio contra Fernanda Chaves, única sobrevivente do atentado.



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