Tabajaras defendem pertencimento ao Ceará em processo de litígio com o Piauí

Documento do século XVIII integra defesa cearense em processo que tramita no STF sobre disputa territorial entre os dois estados

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
20 de Abril de 2024 - 09:27
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Uma Carta Régia datada de 1721 e emitida por Dom João V, então Rei de Portugal, é um dos documentos usados pelo Ceará na defesa da manutenção de territórios no processo de litígio com o Piauí, que tramita no Supremo Tribunal Federal desde 2011.

Segundo a defesa cearense, o documento — que estabelece que toda a região da Serra da Ibiapaba seria destinada ao povo Tabajara e atestaria “identidade territorial e cultural dos habitantes com o território” — funciona como prova de um “sentimento de pertencimento secular”.

Atualmente, duas aldeias indígenas reconhecidas pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) estão dentro da área de litígio entre Ceará e Piauí: Cajueiro, no município de Poranga, e Nazário, em Crateús. Nelas, vivem mais de 50 famílias dos povos Tabajara e Kalabaça.

Segundo Jorge Tabajara, secretário-executivo da Secretaria dos Povos Indígenas do Ceará, uma eventual mudança das terras em disputa para o Piauí poderia, inclusive, afetar o processo de reconhecimento do território indígena da Aldeia Cajueiro, já em trâmite.

Litígio

A tese de defesa que destaca a Carta Régia de mais de 300 anos compõe nota técnica divulgada pelo Grupo de Trabalho do Ceará, atuante na defesa do Estado no processo, no começo deste mês. A nota objetivou “realizar o mapeamento cartográfico do sopé ocidental” da Serra da Ibiapaba.

O processo da Ação Cível Originária nº 1831 tem a ministra Cármen Lúcia como relatora. O Ceará já apresentou análise técnica de documentos e mapas históricos na defesa da manutenção da posse dos territórios em disputa. 

13 municípios cearenses estão envolvidos no processo de litígio: Granja, Viçosa do Ceará, Tianguá, Ubajara, Ibiapina, São Benedito, Carnaubal, Guaraciaba do Norte, Croatá, Ipueiras, Poranga, Ipaporanga e Crateús. Neles, de acordo com dados Censo Demográfico de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), residem 7070 pessoas indígenas.



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