Sessão na CMFor é suspensa após vereador chamar fala de colega de 'estúpida' e gerar bate-boca no plenário

Situação aconteceu na manhã desta quinta-feira (10), quando parlamentares discutiam a situação da saúde e gastos com shows

Matéria por  Bruno Leite
10 de Abril de 2025 - 16:02
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A sessão da Câmara Municipal de Fortaleza (CMFor) desta quinta-feira (10) foi interrompida por uma confusão envolvendo o vereador Julierme Sena (PL) e a vereadora Adriana Gerônimo (Psol). Por conta do acontecimento, o presidente da Casa Legislativa, Leo Couto (PSB), suspendeu o encontro.

O desentendimento começou como um desdobramento de uma discussão iniciada por Jorge Pinheiro (PSDB) sobre um projeto de indicação de Tony Brito (União) que pedia a reforma de um posto de saúde na Barra do Ceará.

O tucano, apesar de votar favorável pela aprovação da iniciativa, disse que ela não era o bastante. Aproveitando a oportunidade, ele criticou a falta de medicamentos e insumos nas unidades de saúde e o gasto do Município para a realização do aniversário da cidade.

A provocação foi repercutida por diferentes vereadores ao longo do restante da sessão, tanto da oposição quanto da situação, cada um deles apresentando seus argumentos. Adail Júnior (PDT), PPCell (PDT), Benigno Júnior (REP) e Bruno Mesquita (PSD) foram alguns deles.

Julierme Sena também foi outro partidário que se posicionou, enfatizando os cachês pagos pela administração pública aos artistas que irão se apresentar na comemoração de 299 anos da Capital cearense. 

Nas palavras do parlamentar, o investimento na Cultura, “poderia e deveria ser investido na saúde pública, hoje agonizante”. O liberal falou que as contratações ocorreram sem licitação e considerou que o dinheiro público estaria sendo “desperdiçado”.

Momentos depois, ao tratar sobre a questão, Adriana Gerônimo assentiu que “é uma unanimidade entre todos os vereadores a necessidade do fortalecimento da saúde no município”. Mas ponderou que “os vereadores da oposição querem que, em três meses, o rombo que o (ex-prefeito José) Sarto deixou seja solucionado”.  

Ela rebateu a fala de Julierme e disse que o grupo oposicionista demonstra um “incômodo” com o “Carnaval e com os eventos descentralizados”. “Teve vereador aqui dizendo que nem licitação foi realizada para contratação dos artistas que vão tocar agora no aniversário de Fortaleza, mas a Lei de Licitações garante um processo de inexigibilidade”, lembrou.

Outras falas foram proferidas, até que Julierme usou seu tempo como líder do partido, pouco antes da sessão ser suspensa. “Não ia encaminhar o voto pelo PL, mas vou contrapor a fala estúpida da vereadora do Psol, que é a favor das drogas, do aborto e o escambau”, disparou, acrescentando que seu julgamento sobre as contratações não considerou a legalidade da decisão, mas a moralidade. 

“Estúpido é você, querido”, rebateu Gerônimo, que logo foi respondida pelo colega de legislatura: “vossa excelência que é estúpida”. Adriana então complementou: “e desrespeitoso”. Gritos simultâneos foram ouvidos logo depois. “Lave a boca para falar de mim”, ordenou a vereadora do Psol, que também se referiu ao parlamentar como “ridículo” e “medíocre” por repetidas vezes.

O som foi cortado e gritos passaram a ser ouvidos no Plenário. O presidente Leo Couto interveio na situação, pedindo que os legisladores parassem a discussão. Por não ter seu pedido atendido, ele suspendeu a sessão.

O Diário do Nordeste contatou ambos os parlamentares a fim de obter uma posição sobre o episódio.

Adriana Gerônimo caracterizou o momento como “mais um infeliz e covarde episódio de ataque pessoal”, segundo ela, “orquestrado por quem não tem argumentos técnicos para fazer o embate político sadio”. “Não vou tolerar ataques, ainda mais quando estou no meu exercício parlamentar. Acredito que a Câmara precisa adotar medidas, pois esses ataques ficaram rotineiros e os agentes dessa violência sempre ficam impunes”, ressaltou a vereadora.

Julierme Sena, por sua vez, argumentou que, “regimentalmente, um colega só pode falar quando houver a oportunidade, o que não era o caso da vereadora do Psol”. “Acredito que as discussões devem ficar no campo das ideias e não partir para as questões pessoais. Quando ela assim o fez, eu revidei”, disse ao Diário do Nordeste.

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