Senado quer 'carimbar' verba para aprovar PEC da Transição

A PEC, avaliada em R$ 198 bilhões, retira o Auxílio Brasil do teto de gastos e libera um espaço de R$ 105 bilhões no Orçamento de 2023 para novos gastos, ainda não detalhados

Escrito por Diário do Nordeste/Estadão Conteúdo producaodiario@svm.com.br
04 de Dezembro de 2022 - 09:30
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Após uma semana de negociações, o Senado ainda pressiona o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a entregar mais cargos e verbas em troca da aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Transição. Também está em negociação a possibilidade de restringir a destinação dos recursos que entrarão no Orçamento com a aprovação da medida, especificando quais áreas deverão ser atendidas pelo novo governo.

A PEC, avaliada em R$ 198 bilhões, retira o Auxílio Brasil (que passará a ser chamado de Bolsa Família) do teto de gastos, regra que limita o crescimento das despesas do governo à variação da inflação.

Com isso, ela libera um espaço de R$ 105 bilhões (valor previsto para o programa no ano que vem) no Orçamento de 2023 para novos gastos, ainda não detalhados.

Cobranças

De acordo com o texto, a reserva será preenchida com solicitações da equipe de transição. O PSD, partido do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), passou a cobrar a mudança no texto, com a especificação das áreas que serão atendidas.

Como mostrou o jornal O Estado de S. Paulo, a equipe de Lula concordou em negociar a destinação dos recursos com parlamentares em troca da aprovação, mas a fatura cobrada no Congresso é maior.

Partidos pedem a Lula a nomeação de ministros, a manutenção do orçamento secreto e o apoio à reeleição de Arthur Lira (PP-AL) e Rodrigo Pacheco nas presidências da Câmara e do Senado, respectivamente.

"Queremos que esse dinheiro vá carimbado para não ter desvio de finalidade e esteja especificado na PEC", afirmou o líder do PSD no Senado, Nelsinho Trad (MS). "O governo tem que se dar por satisfeito se essa PEC for aprovada na atual legislatura. Ele vai demonstrar que teve por parte do Parlamento uma tolerância, sem ter tomado posse."

A bancada do PSD, de 12 senadores, concordou em apoiar a PEC, mas reduzindo o período de flexibilização do teto de quatro para dois anos. Anteriormente, os integrantes da legenda defendiam um tempo ainda menor, de apenas um ano.

Líderes de outros partidos ainda cobram a redução. A equipe de Lula defende o uso da PEC para abrir o espaço fiscal, deixando a definição do destino das novas despesas para a Lei Orçamentária Anual (LOA).



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