PontoPoder

Segurança pública domina debate político no Ceará e antecipa clima para sucessão estadual em 2022

Opositores e aliados do Governo do Estado têm travado embates nas redes sociais e nas Casas Legislativas sobre a problemática da violência

Escrito por Letícia Lima leticia.lima@svm.com.br
27 de Setembro de 2021 - 21:00 (Atualizado às 14:35, em 09 de Novembro de 2021)
capa da noticia
Legenda: Pauta da segurança pública domina debate político no Ceará em ano de véspera de eleição estadual em 2022
Foto: Thiago Gadelha

O tema da segurança pública tem dominado a cena política no Ceará. Opositores do Governo do Estado apontam, de um lado, falhas no combate às facções criminosas e, do outro, aliados apontam influência de lideranças políticas na desorganização da tropa com fins eleitorais. O embate entre os grupos políticos já antecipa o tom da campanha eleitoral para sucessão do governador Camilo Santana (PT) em 2022.

Na Assembleia Legislativa e Câmara Municipal de Fortaleza, o debate sobre a política de segurança pública do Estado tem voltado com força, principalmente em relação à atuação das facções criminosas.

Embates

Na semana passada, o deputado estadual Soldado Noélio (Pros) levou flores para a tribuna da Assembleia, para rebater críticas do governador Camilo Santana à oposição.

O governador chamou a oposição de "raivosa" e "intolerante" durante um evento em Fortaleza, em meio à onda de críticas disparadas por opositores ao combate à criminalidade.

Camilo, inclusive, tem criticado, reiteradas vezes, informações falsas divulgadas por adversários nas redes sociais sobre o Governo. 

Soldado Noélio, por sua vez, rebateu a fala do governador e cobrou dele ações mais enérgicas contras organizações criminosas no Estado. 

Dias antes, o deputado federal Capitão Wagner (Pros), líder da oposição no Ceará, fez uma transmissão nas redes sociais, falando sobre a violência e chamando o governador para um debate público sobre o assunto. 

Motim 

O secretário de segurança do Estado, Sandro Caron, entrou no debate e respondeu às críticas de Capitão Wagner, afirmando que as facções estavam destruídas e voltaram a se organizar após o motim da Polícia Militar (PM), ocorrido no Ceará em 2020. 

O titular da Pasta ainda acusou Wagner de incentivar o movimento ilegal de paralisação da PM.

A fala do secretário de segurança acirrou os ânimos. Opositores questionaram o trabalho realizado por Caron, enquanto aliados do Governo defenderam os resultados apresentados pela Secretaria e os investimentos que o Estado vem fazendo na área da segurança.

Além disso, integrantes da base governista frisam que o problema da segurança também é responsabilidade do Governo Federal.

O ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT), um dos cotados no partido como pré-candidato à sucessão de Camilo Santana, também entrou no circuito, criticando a conduta de Capitão Wagner. Ele e Wagner foram adversários nas eleições para a Prefeitura de Fortaleza em 2016. 

Véspera de eleição

O debate sobre a violência no Estado volta à tona sempre em véspera de eleição. Em 2018, quando o governador Camilo Santana foi reeleito, adversários como o então candidato General Theophilo (PSDB) tinham a segurança como uma de suas principais bandeiras de campanha. 

Agora, em novo ano pré-eleitoral, o tema domina os debates novamente. Para o cientista político e professor universitário Cleyton Monte,  pesquisador do Laboratório de Estudos sobre Política, Eleições e Mídia da Universidade Federal do Ceará (Lepem-UFC), os ataques da oposição nesse campo não são aleatórios.

"A oposição ao governador tem uma base militarizada. O Capitão Wagner ataca a política de segurança, mas, tendo o seu nome diretamente ligado ao motim, isso pode se voltar contra ele. A oposição está tentando buscar um caminho e o domínio das facções é o caminho de apontar falhas na política de segurança".

CPI

Cleyton Monte lembra, por outro lado, que uma das estratégias do grupo governista é a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instalada na Assembleia Legislativa para investigar o envolvimento das associações militares no motim da PM.

Taboola Body Article

1

2 3 4 5