Renan Calheiros decide adiar entrega de relatório final da CPI da Covid para outubro

Os parlamentares querem coletar mais informações para finalizar o documento

Matéria por  Diário do Nordeste e Estadão Conteúdo
20 de Setembro de 2021 - 14:12
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O relator da CPI da Covid, senador Renan Calheiros (MDB-AL), decidiu adiar a entrega do relatório final da comissão para outubro. Inicialmente, o documento estava previsto para ser entregue na próxima sexta-feira (24).

Os parlamentares querem coletar mais informações sobre empresas ligadas a lobistas que negociaram com o Ministério da Saúde. Além disso, os senadores defendem uma apuração mais aprofundada sobre a atuação da Prevent Senior com o uso de medicamentos em pacientes.

A CPI também pôs no radar uma nova convocação do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. Seria o terceiro depoimento do chefe da pasta. O ministro é uma das autoridades formalmente investigadas pela comissão e poderá ser responsabilizado no relatório de Renan em função da gestão à frente do ministério.

Na semana passada, o ministro atribuiu ao presidente Jair Bolsonaro a orientação para rever a vacinação de adolescentes. O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) apresentou um requerimento de convocação de Queiroga para explicar a suspensão de vacinação dos jovens de 12 a 17 anos sem comorbidades e o planejamento de imunização para 2022.

A CPI deve analisar nesta terça-feira (21) os novos requerimentos apresentados e definir os próximos passos da investigação.

Mortes ocultadas em estudo

plano de saúde Prevent Senior escondeu mortes de pacientes voluntários de estudo para testar eficácia da hidroxicloroquina, associada à azitromicina, no tratamento da Covid-19. A pesquisa foi apoiada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e usada por defensores da cloroquina para justificar prescrição do medicamento.

A CPI da Covid-19 recebeu um dossiê com série de denúncias de irregularidades, elaborado por médicos e ex-médicos da Prevent Senior.

O documento, obtido pela Globonews, indica que a disseminação da cloroquina e de outros medicamentos resultou de acordo entre o Governo Bolsonaro e a empresa — o estudo foi um desdobramento do acordo.

A GloboNews também teve acesso a uma planilha com nomes e informações de todos os participantes da pesquisa. Nove deles morreram durante os estudos, mas só dois óbitos foram mencionados pelos autores.

Um médico que trabalhava na Prevent e mantinha contato próximo com diretores da companhia afirmou ao canal de TV que o estudo foi manipulado para demonstrar a eficácia da cloroquina. O resultado do estudo já estava pronto bem antes da conclusão, segundo o profissional.



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