PGR quer investigar Eduardo Bolsonaro por agir nos EUA contra autoridades brasileiras

A solicitação de abertura de inquérito foi enviada pelo órgão para o gabinete do ministro Alexandre de Moraes, do STF

Matéria por  Estadão Conteúdo  e  Redação
26 de Maio de 2025 - 13:09
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O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) deverá ser investigado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por atuar nos Estados Unidos contra autoridades brasileiras. A abertura do inquérito foi solicitada pelo órgão nesta segunda-feira (26).

Segundo a PGR, o deputado encabeça uma campanha de intimidação e perseguição contra integrantes da Procuradoria, do Supremo Tribunal Federal (STF) e da Polícia Federal envolvidos em investigações e processos contra bolsonaristas.

O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) se licenciou do mandato na Câmara Federal e está morando nos EUA desde o último mês de fevereiro, sob a justificativa de que precisa permanecer no país para "focar em buscar as justas punições que Alexandre Moraes e a sua Gestapo da Polícia Federal merecem".

No ofício enviado ao STF, o procurador-geral Paulo Gonet alega que o parlamentar deve ser investigado por tentar obstruir a ação penal a respeito da trama golpista arquitetada em 2022, em que seu pai, Jair, é réu, e o inquérito das fake news.

Crimes investigados

Para Gonet, a conduta do deputado pode ser enquadrada em ao menos três crimes: coação no curso do processo, embaraço à investigação de infração penal que envolva organização criminosa e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

O documento também cita a atuação do político junto ao governo dos Estados Unidos — liderado por Donald Trump — para impor sanções a ministros do STF, procuradores e delegados da PF que atuam em processos e inquéritos contra o ex-presidente e seus aliados, como, por exemplo, a cassação de vistos de entrada nos EUA e bloqueio de bens e contas em território norte-americano.

O procurador-geral reforça que Eduardo age movido por "motivação retaliatória" e com "manifesto tom intimidatório" para tentar atrapalhar o andamento do julgamento técnico da ação penal do golpe e "perturbar os trabalhos técnicos" da PF. 

O pedido da PGR foi enviado diretamente para o gabinete do ministro Alexandre de Moraes, responsável pelo inquérito sobre a trama golpista no Supremo. O documento também prevê a convocação do ex-presidente Bolsonaro para prestar depoimento sobre o caso.



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