PF mira Bolsonaro e aliados em operação sobre tentativa de golpe; Ceará é alvo de mandado

Operação atinge nomes como Braga Netto, Augusto Heleno e Anderson Torres. Há cumprimento de mandado no Ceará

Matéria por  Diário do Nordeste/Estadão Conteúdo
08 de Fevereiro de 2024 - 08:17
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A Polícia Federal (PF) deflagrou operação, nesta quinta-feira (8), contra organização criminosa que atuou em tentativa de golpe de Estado e abolição do Estado Democrático de Direito, visando obter vantagem política para manter Jair Bolsonaro (PL) na Presidência.

Segundo informação da jornalista Daniela Lima, da Globonews, a Operação Tempus Veritatis atinge nomes como Braga Netto, Augusto Heleno, os ex-ministros da Defesa Paulo Sérgio Nogueira, que é cearense, e Anderson Torres e outros aliados militares ou políticos do ex-presidente, como Valdemar Costa Neto.

A operação já prendeu os ex-assessores Filipe Martins e o coronel Marcelo Câmara.

Além dos mandados de prisão preventiva, estão sendo cumpridos 33 mandados de busca e apreensão, e 48 medidas cautelares diversas da prisão, que incluem a proibição de manter contato com os demais investigados, proibição de sair do País, com entrega dos passaportes no prazo de 24 horas, e suspensão do exercício de funções públicas.

As medidas judiciais foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Há cumprimento de mandado no Ceará e nos estados do Amazonas, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, Paraná, Goiás e no Distrito Federal.

O Diário do Nordeste solicitou à PF detalhes sobre a operação no Estado e aguarda retorno.

Nesta fase, segundo a PF, as apurações apontam que o grupo investigado se dividiu em núcleos de atuação para disseminar a ocorrência de fraude nas eleições de 2022, antes mesmo do pleito, para viabilizar e legitimar uma intervenção militar. A dinâmica, conforme a PF, era "de milícia digital".

Como o grupo agiu

A investigação da PF identificou que o primeiro eixo de atuação do grupo criminoso consistiu na construção e propagação da versão de fraude nas eleições de 2022, com "disseminação falaciosa de vulnerabilidades do sistema eletrônico de votação". O discurso, cita a PF, era reiterado pelos investigados desde 2019 e persistiu mesmo após os resultados do segundo turno das eleições presidenciais.

O segundo eixo de atuação consistiu na prática de atos para subsidiar a abolição do Estado Democrático de Direito, através de golpe de Estado, com apoio de militares com conhecimentos e táticas de forças especiais no ambiente politicamente sensível.

O Exército acompanha o cumprimento de alguns mandados pela PF. Os fatos investigados configuram, em tese, crimes de organização criminosa, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.

Presidente Lula comenta operação

Pela rede social X, antigo Twitter, o presidente Lula falou sobre a operação da PF em andamento e disse esperar que seja aplicado o rigor da lei. 

"É muito difícil um presidente da República comentar sobre uma operação da Polícia Federal que ocorre em segredo de justiça. Espero que não ocorra nenhum excesso e seja aplicado o rigor da lei. Sabemos dos ataques à democracia. Precisamos saber quem financiou os acampamentos. Vamos esperar as investigações", escreveu. 



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