PF indicia prefeito, vice e 13 pessoas de Campos Sales por crimes eleitorais

O prefeito de Campos Sales, Moésio Loiola (PSB), e o vice-prefeito, Solano Feitosa (PSB), foram eleitos no ano passado e agora são alvos de investigação

Matéria por  Igor Cavalcante
05 de Junho de 2025 - 15:29
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A Polícia Federal (PF) indiciou o prefeito de Campos Sales, Moésio Loiola (PSB), e o vice-prefeito, Solano Feitosa (PSB), por supostos crimes eleitorais praticados durante a campanha do ano passado. Eles também são investigados por associação criminosa e falsidade ideológica. Além dos mandatários, o cerco dos investigadores apura condutas praticadas por outras 13 pessoas. Em nota, os políticos negaram o envolvimento em ilícitos eleitorais, disseram confiar na Justiça e fizeram um alerta sobre supostas informações falsas.

O Diário do Nordeste teve acesso ao relatório final da Delegacia da PF em Juazeiro do Norte, assinado no último dia 26 de maio pela delegada Josefa Maria Lourenço da Silva. No documento, a delegada oficializa o indiciamento indicando que há indícios suficientes de autoria e materialidade (provas) de que os investigados cometeram atos ilícitos.

As investigações começaram a partir da prisão em flagrante, no último dia 6 de outubro de 2024, de sete pessoas. O grupo foi interceptado quando se deslocava por assentamentos federais no distrito de Carmelópolis, na zona rural de Campos Sales. Eles estariam envolvidos na compra de votos e coação de eleitores durante aquele pleito. 

Investigação

Entre os presos estavam um policial militar e um policial civil armados. A PF ainda apreendeu R$ 29,2 mil em cédulas de R$ 100, “santinhos” de campanha, veículos e oito aparelhos celulares. Os homens foram detidos por crimes de corrupção e coação eleitoral, além de associação criminosa — neste crime, apenas os civis foram indiciados. 

De acordo com as investigações, a base do esquema era a captação ilícita de votos, seja por meio da compra ou da intimidação dos eleitores. Inicialmente, o grupo se deslocava em comboios de veículos, inclusive com a presença de policiais militares e civis armados que atuavam na segurança privada. Nas visitas aos eleitores, principalmente na zona rural, os homens ofereciam dinheiro, cesta básica, quitação de contas, serviços médicos e até abastecimento de água em troca de votos. 

Conversas encontradas pelos investigadores em celulares apreendidos reforçaram o rol de provas contra os suspeitos. Conforme o relatório, havia negociação explícita de votos em troca de favores, como a troca de seis votos pelo suporte a uma pessoa hospitalizada e quatro votos pelo pagamento de um exame de ecocardiograma.

A PF aponta ainda que a presença de policiais armados junto ao grupo também oferecia vantagens indevidas, intimidando e coagindo eleitores. Os policiais federais também receberam relatos de agressões físicas contra moradores da região. Parte do grupo também é acusada de ameaça.

O inquérito aponta ainda a prática de falsidade ideológica eleitoral, conhecida como “caixa dois”. Segundo a PF, os recursos referidos nos diálogos e utilizados na campanha, especialmente para a compra de votos e a aquisição de cestas básicas, indicam o uso de valores não declarados e financiamento indevido de campanha.

Os agentes ainda identificaram "transações financeiras atípicas" e "relevante quantidade de saques em espécie" no período eleitoral.

O que dizem o prefeito e o vice-prefeito?

Em nota enviada ao Diário do Nordeste, Moésio Loiola se pronunciou sobre o indiciamento contra ele e o vice-prefeito. Ele disse que sempre pautou a conduta e atuação em “princípios republicanos”, ressaltando que sempre se submeteu “à justiça e às decisões judiciais”.

Veja a nota na íntegra: 

Agora, vejo meu nome vinculado a um processo, que também inclui meu parceiro de chapa, Dr. Solano. Nem eu e muito menos ele tivemos qualquer participação, envolvimento ou colaboração com qualquer ilícito eleitoral. Mesmo assim, e aceitando os comandos da justiça, além de colaborarmos com o processo, iremos exercer o direito constitucional da ampla defesa e do contraditório, a partir da provocação judicial.

E com isto, somente ao final do processo é que teremos um resultado, que será integralmente acatado. Porém, no seu curso, iremos mostrar a nossa versão e, principalmente, a verdade dos fatos.

Alerto aos amigos e amigas que não se deixem levar por informações distorcidas e mentirosas levadas a público por alguns poucos, que, inconformados com o resultado das urnas, buscam rediscutir o resultado das eleições na justiça.

Tudo a seu tempo, e assim será com relação a tudo que agora é afirmado contra pessoas que todos vocês conhecem no dia a dia da cidade: cidadãos e cidadãs que não têm por ofício o crime, que não têm histórico de ações criminosas, muito menos violentas, e que não agiram em prol da ilegalidade, independente sob qual argumento fosse.

Também é muito importante a atenção de todos vocês quanto ao terrorismo que se tenta instalar na cidade, ameaças a pessoas de denúncias do que não fizeram, acusações infundadas e levianas, e todo tipo de perfídia (deslealdade, infidelidade, traição) contra pessoas de bem.

Espero estar falando com o coração de cada um dos senhores e senhoras, e que, no final, a verdade acima de tudo prevaleça.

Por fim, destaco que tenho sido procurado por setores da imprensa pedindo uma manifestação de minha parte, e assim, com esta peça, acredito estar informando o que é possível por agora. Até porque, segundo consta, existe um inquérito e um processo em curso, e falas demais podem prejudicar os seus regulares cursos.



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