Pacotão político-econômico de Elmano é aprovado pela Mesa Diretora e vai a plenário na quarta (15)

Um requerimento da oposição tenta adiar tramitação da proposta que trata do ICMS, mas ainda será avaliado pelos deputados

Matéria por  Ingrid Campos, Alessandra Castro
14 de Fevereiro de 2023 - 12:00
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A  Mesa Diretora da Assembleia Legislativa do Ceará (Alece) aprovou uma série de projetos prioritários da gestão Elmano de Freitas (PT) nesta terça-feira (14). A deliberação na Mesa acontece porque ainda não há definição sobre a composição das comissões.

A votação em plenário está prevista para a quarta-feira (15), segundo o líder do governo, Romeu Aldigueri (PDT). Nesta tarde, a Mesa Diretora volta a se reunir para tratar das emendas do projeto que autoriza a reforma administrativa na gestão.

Entre os projetos aprovados pela Mesa, está um pacote de medidas econômicas que preveem o aumento da alíquota do ICMS para compensar as perdas do tributo no ano passado, a recriação do chamado Fundo de Estabilidade Fiscal e a autorização de contratação de empréstimo de R$ 900 milhões com o Banco do Brasil.

Entraram na agenda, também, a mudança nos cargos do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) e a criação do Plano Estadual de Redução das Filas de Cirurgias Eletivas e do Programa "Ceará Sem Fome". 

Reação da oposição

Crítica do pacote econômico desde a sua apresentação aos deputados, a oposição de Elmano na Casa se organiza para atrasar o trâmite das propostas. O líder do União Brasil, Sargento Reginauro, apresentou requerimento, a ser lido nesta terça-feira (14), para adiar a votação do dos projetos sobre o ICMS, o empréstimo e o incentivo fiscal.

O objetivo é adiar a votação por cinco sessões a fim de que haja mais tempo de discussão sobre esses assuntos.

"Nós não estamos pedindo o cancelamento da medida, estamos pedindo prazo. Inclusive, o governo pode, ao longo do processo, até nos convencer em debates públicos que, de fato, o Estado do Ceará precisa. Neste momento, não temos sequer apresentação de dados suficientes, a mensagem não traz isso, para provar que o Estado teve uma perda e precisa, por exemplo, aumentar imposto e contrair um novo empréstimo", explicou Reginauro.

Oscar Rodrigues (União), que é membro da Mesa, também criticou o curto tempo de apreciação das matérias, apesar de acreditar que são importantes. Por isso, na etapa de deliberação em colegiado, votou contra as propostas sobre o ICMS e o Fundo de Estabilidade Fiscal.

O governador Elmano de Freitas informou que não enviaria as mensagens com regime de urgência para que os deputados pudessem analisá-las com calma.

Entenda os projetos

Para compensar a perda de arrecadação causada por lei federal, no ano passado, de redução da alíquota do ICMS nos estados e conseguir verba para a realização de programas sociais, o governador Elmano enviou uma série de medidas econômicas à Assembleia.

Como ainda não foram definidas as composições das comissões nesta legislatura, é a Mesa Diretora que analisa o mérito e a constitucionalidade das propostas antes de encaminhá-las para a votação em plenário.

Há proposta de recomposição econômica, de combate à fome, de Reforma Administrativa, entre outras.
Legenda: Há proposta de recomposição econômica, de combate à fome, de Reforma Administrativa, entre outras.
Foto: Alece

O aumento da alíquota encaminhada por Elmano é de 18% para 20%. Esta é, inclusive, orientação do Comitê Nacional dos Secretários da Fazenda dos estados e do Distrito Federal (Comsefaz).

De acordo com Júlio César Filho (PT), os aumentos previstos só valerão a partir de 2024. "Nós estamos nos preparando para que a Secretaria da Fazenda do Estado já possa fazer as previsibilidades das leis orçamentárias para que a gente possa amenizar a queda do impacto da arrecadação através dessas mudanças", explica, acrescentando, ainda, que outras ações estão em estudo para envio à Alece.

O Fundo de Estabilidade Fiscal, por sua vez, deve recolher cerca de 10% do valor de incentivos fiscais do ICMS concedido às empresas, por tempo determinado. O objetivo é cobrir os R$ 2,2 bilhões perdidos em arrecadação. Aliado a isso, o Governo do Estado pede, ainda, autorização à Assembleia para a contratação de um empréstimo no valor de R$ 900 milhões com o Banco do Brasil. 

Já a Reforma Administrativa prevê a criação de novas secretarias estaduais e pontuais mudanças em cargos e na distribuição de recursos entre as novas pastas. Questionado anteriormente se a iniciativa representaria um aumento do gasto público para a manutenção da nova estrutura, Aldigueri negou. Julinho diz, contudo, que a reforma deve ter um impacto financeiro de, aproximadamente, R$ 30 milhões aos cofres do Estado.

A saúde também é tema das propostas analisadas pela Mesa, com o Plano Estadual de Redução das Filas de Cirurgias Eletivas, Exames Complementares e Consultas Especializadas na rede pública de saúde. Promessa de campanha do petista, a medida deve R$ 130 milhões só para a realização das cirurgias. O Governo Federal, segundo o líder do governo local, enviará parceladamente outros R$ 25 milhões a partir da semana que vem. 

A proposta do TJCE prevê a criação de 50 cargos comissionados para os gabinetes dos desembargadores e outros 220 cargos de auxiliares aos juízes do primeiro grau. Na primeira instância, a divisão das vagas terá como base o volume processual das varas e unidades mais demandadas pela sociedade. 

Por fim, o combate à fome indica o investimento de R$ 230 milhões em ações de combate à insegurança alimentar e nutricional no Ceará. 



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