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Nova Jaguaribara: 1ª cidade projetada do Ceará completa 20 anos entre avanços e promessas

Realocado para a construção do Castanhão, o município cresceu em tamanho e estrutura, mas ainda enfrenta dificuldades impostas pela mudança ocorrida em 2001

Escrito por Luana Barros luana.barros@svm.com.br
25 de Setembro de 2021 - 07:00
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Legenda: Inaugurada em setembro de 2001, Jaguaribara é a primeira cidade planejada do Ceará
Foto: Arquivo SVM/André Lima

O dia 25 de setembro de 2021 marca duas décadas da inauguração da cidade cearense de Jaguaribara - a "nova". No entanto, a data, que ficou no calendário, está longe de ser apenas mais um aniversário: ela resume um processo - político, econômico, urbanístico e social - bem mais amplo deste município do Vale do Jaguaribe, localizado a 162 quilômetros de Fortaleza.

Vinte anos depois, muitos sentimentos coexistem naqueles que acompanharam o processo de realização de Jaguaribara - ou viveram as consequências dele. A saudade das raízes fincadas na "velha" cidade - hoje inundada pelo açude Castanhão - convive com o reconhecimento da eficácia das estruturas construídas e a espera de promessas ainda não efetivadas. 

A cidade, fruto de decisões políticas, hoje se depara com outras questões de ordem igualmente política: o desenvolvimento econômico é um desafio na chegada dos 20 anos do município. Além da pandemia de Covid-19 e da crise econômica do País, Jaguaribara convive com a seca do açude Castanhão e a consequência para a principal atividade da cidade: a piscicultura. 

As obras para construção da
Legenda: As obras para construção da "nova" Jaguaribara começaram no final da década de 1990
Foto: Arquivo SVM

"Não é um discurso único. Tem pessoas que adoram a nova cidade, que conseguiram ter melhor qualidade de vida. É uma mudança que até hoje gera essa discussão: tem aqueles que gostaram, tem quem, até hoje, não se sente confortável", resume o estudante de Direito, Francisco Cavalcante, criado na nova Jaguaribara. 

Que cidade é essa?

Francisco tem quase a idade da cidade: 22 anos. Ainda muito novo durante a mudança, a memória sobre o processo de inauguração do município vem das histórias que ouviu da mãe e dos avós.

Uma história que, mesmo 20 anos depois, não são todos que conhecem. A "velha" Jaguaribara tem uma origem que remonta ao século 17 a partir do povoado de Santa Rosa. A cidade antiga era plantada “na barreira do rio Jaguaribe”, como conta o professor aposentado e escritor, Chico Isac. 

"Tinha casas que enchiam, a água batia no muro. O banho de rio era incomparável. À tardinha, o pessoal ia para a calçada. A gente tinha rádio, mas não tinha precisão. Tudo se espalhava rapidamente", lembra ele, que nasceu e cresceu na antiga cidade, mas morou em outras localidades do Ceará e do Brasil. 

Ainda na década de 1980, começaram a chegar à cidade as primeiras notícias sobre o processo de construção de uma barragem no território do município. Mas a decisão final viria apenas em 1995: Jaguaribara precisaria ser inundada para a construção do açude Castanhão. 

"Quando começou essa problemática do Castanhão, voltei para Jaguaribara e nunca mais saí. Fui contra? Fui demais. (...) A gente era ferrenho, não queria abrir mão", recorda Chico Isac, que fez parte do movimento de resistência à chegada do Castanhão. 

Processo participativo

"A população de Jaguaribara, que ia ser reassentada, não queria. Era uma população que estava arredia, porque era uma mudança radical", corrobora a arquiteta Marilac Cabral, que era coordenadora do projeto da Nova Jaguaribara. 

A solução encontrada, explica ela, foi envolver a população no processo de planejamento da nova cidade. "Isso foi de suma importância para começar a fazer esse projeto. Começamos a envolver a população no projeto e eles participaram de tudo", completa. 

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