Na segunda etapa de depoimentos, clima na CPI das Associações Militares esfria

A comissão ouviu o presidente da Associação das Praças do Estado nesta terça (26)

Matéria por  Luana Barros, Luana Severo, Felipe Azevedo
26 de Abril de 2022 - 11:42
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Em nova fase de depoimentos da CPI das Associações Militares da Assembleia Legislativa do Ceará, os deputados estaduais ouviram, nesta terça-feira (26), o presidente da Associação das Praças do Estado (Aspra), o subtenente Eliziano Queiroz. Ele é o quinto convidado da comissão instalada no parlamento estadual para investigar suposto envolvimento de associações militares no motim de policiais e bombeiros, em fevereiro de 2020

O clima, no entanto, foi bem diferente dos depoimentos anteriores - todos ligados a Associação de Profissionais de Segurança (APS). Enquanto a entidade anterior – presidida anteriormente por políticos cearenses, como o deputado Capitão Wagner (UB) e Sargento Reginauro (UB) – teve questionamentos mais incisivos, o clima para o depoimento desta terça foi mais ameno.

Relator da CPI das Associações Militares, o deputado Elmano Freitas (PT) afirmou estar "satisfeito" com o depoimento e elogiou a entidade: "o grau de organização é muito perceptível". Durante o depoimento, Elmano chegou a indagar como eram feitas as transações bancárias. 

"O saque foi feito imediatamente no caixa e trouxeram os comprovantes desses pagamentos. Então, não houve retirada e ninguém saiu com dinheiro no bolso para levar para casa ou para outro local", ressaltou. Durante os depoimentos anteriores, foram relevados saques na 'boca do caixa' de R$ 2,3 milhões durante cinco anos - entre os quais, a retirada de quase R$ 90 mil poucos dias antes da paralisação dos policiais militares

Depoimento   

O depoente iniciou a fala detalhando a estrutura da Associação e os serviços oferecidos pela entidade – como auxílios natalidade e funeral, incluindo os valores pagos aos associados e familiares, além de serviços jurídicos e de hospedagem. 

Além disso, foi entregue à CPI relatórios das transações bancárias da Aspra entre os anos de 2019 – quando foram iniciadas mobilizações ligadas às demandas salariais dos militares – e 2022. 

O depoimento durou pouco mais de uma hora, tempo bem mais curto do que as sessões anteriores. Em clima de cordialidade, deputados tanto da base governista como da oposição fizeram elogios à atuação da associação. 

Motim dos militares

Durante o depoimento, Eliziano Queiroz reforçou que a Aspra "não participou" e "não financiou" a paralisação de policiais e bombeiros militares em fevereiro de 2020. A Associação participou das mesas de negociação com o Governo do Ceará a respeito do reajuste salaria da categoria. 

"O acordo não foi o que esperávamos, mas saímos com acordo firmado. (...)  O acordo não foi satisfatório, mas houve oportunidade de explanamos demandas da categoria", afirmou o presidente da associação, que também ressaltou ser "contrário" a paralisação ocorrida em 2020. 

Indagado pelo deputado Soldado Noélio (UB) se houve "qualquer pressão" do deputado Capitão Wagner (UB), do vereador Sargento Reginauro ou de qualquer outro político para participação da associação no motim de militares, Eliziano também negou. 

"Nesse caso, especificamente, não recebemos nenhum convite pra participar", disse o depoente e complementou que a participação da Aspra encerrou no momento em que o acordo foi firmado entre as associações e o Governo do Estado. O subtenente afirmou ainda que a Aspra perdeu cerca de 1 mil associados no período do motim por não ter apoiado o movimento paredista. 

Próximos depoimentos

Na próxima terça-feira (3), a CPI das Associações Militares deve ouvir presidentes de quatro entidades do Estado. Todos os quatro depoimentos atendem a requerimento do deputado Soldado Noélio (UB).

São eles: 

  • Homero Catunda, presidente da Associação dos Oficiais da PM e do Corpo de Bombeiros Militar do Ceará (Assof);
  • Euriano Santabaia, presidente da Associação dos Subtenentes e Sargentos da PM e do Corpo de Bombeiros (ABSS);
  • Pedro Queiroz da Silva, presidente da Associação de Praças da PM e do Corpo de Bombeiros (Aspramece);
  • Nascimento, presidente da Associação das Praças da Região do Cariri (Asprac).

 



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