MPF abre inquérito para apurar responsabilidade do Estado na crise Yanomami

Órgão aponta que há vasto acerto de evidências para responsabilização do estado brasileiro

Matéria por  Redação
30 de Janeiro de 2023 - 18:27
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O Ministério Público Federal (MPF) instaurou, nesta segunda-feira (30), inquérito para apurar a responsabilidade do Estado Brasileiro na crise humanitária na Terra Indígena Yanomami, localizada entre os estados de Roraima e Amazonas.

O órgão investiga a ação e a omissão de gestores e políticos na situação da comunidade, que enfrenta desnutrição acentuada e doenças como malária e infecção respiratória aguda. A comunidade é afetada pela falta crônica de medicamentos, segundo o MPF.

O Ministério Público aponta que, com base em procedimentos já abertos, há um vasto acervo de evidências para a imediata responsabilização do estado brasileiro.

"Tal acervo revela um panorama claro de generalizada desassistência à saúde, sistemático descumprimento de ordens judiciais para repressão a invasores do território indígena e reiteradas ações de agentes estatais aptas a estimular violações à vida e à saúde do povo Yanomami", diz o documento.

O inquérito quer determinar a exata dimensão da crime humanitária em curso, suas causas e impactos socioambientais, assim como a apurar o grau de envolvimento de cada agente público.

Emergência de saúde pública

O Governo Federal decretou estado de Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional no território Yanomami em 21 de janeiro. 

O território indígena Yanomami, de  96 mil km², enfrenta crescente contaminação e depredação por garimpeiros nos últimos anos. 

Conforme a Polícia Federal, mais de 500 crianças indígenas morreram por causas evitáveis nos últimos quatro anos na região. O inquérito da PF investiga crimes de genocídio, omissão de socorro, crimes ambientais e peculato.

Mais de mil indígenas com graves problemas de saúde e situação de extrema vulnerabilidade já foram resgatados, segundo a Secretaria de Saúde Indígena (SESAI).

O Supremo Tribunal Federal (STF) informou, na última quinta-feira (26), que investiga o envio de informações falsas do governo Bolsonaro sobre a situação dos Yanomami. 

 

 



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