Mourão diz que derrota de Bolsonaro ocorreu por 'erro no discurso': 'falava mal de vacina'

Além de motivação para a derrota, vice-presidente também falou sobre clima no planalto e próximos passos políticos

Matéria por  Redação
17 de Novembro de 2022 - 11:35
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O vice-presidente Hamilton Mourão declarou acreditar que a postura de Jair Bolsonaro (PL) durante a pandemia de Covid-19 foi a responsável pela derrota sofrida nas urnas. A fala foi feita durante entrevista para o Valor Econômico, nessa quarta-feira (16).

Para Mourão, Bolsonaro poderia ter conquistado a reeleição "tranquilamente", se as críticas em relação à administração do período pandêmico não tivessem sido tão duras. O vice-presidente argumentou que o erro de Bolsonaro foi não se comunicar adequadamente. 

“O erro foi no discurso. O cara comprava vacina e falava mal de vacina, pô. Esse discurso aí não foi bom. Isso que prejudicou o presidente” afirmou Mourão.

O senador eleito pelo Rio Grande do Sul ainda defendeu a conduta do governo durante a pandemia, afirmando que a gestão “fez tudo certo”: comprou insumos, repassou verbas para estados e municípios, e habilitou leitos de UTI. “Nosso governo fez muita coisa. [...] O governo tinha tudo para ser reeleito e seguir nesse caminho”, concluiu o vice-presidente. 

CLIMA NO PLANALTO

Com a música viral “Se Acabou” o político descreveu, durante a entrevista, o clima no Planalto após o resultado das eleições. Segundo Mourão, sua equipe está “limpando as mesinhas” e se preparando para a chegada da nova gestão. 

A aparente atmosfera sombria deverá influenciar a cerimônia de posse do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), já que, caso Bolsonaro não queira passar a faixa, o vice-presidente não pretende ser aquele que o fará. 

“Se o presidente, vamos dizer assim, ele não vai querer passar a faixa, não adianta dizer que eu vou passar. Eu não sou o presidente. Eu não posso botar aquela faixa, tirar e entregar. Então, se é para dobrar, bonitinho, e entregar para o Lula, pô, qualquer um pode ir ali e entregar”, disse

Declarando-se fã de Winston Churchill, Mourão concluiu o assunto sobre a entrega da faixa presidencial falando sobre um pensamento do líder inglês, que defende uma postura desafiadora mesmo na derrota. Para Mourão, Bolsonaro repassar a faixa representaria essa atitude: “Acho que seria um gesto de altivez e de desafio: ‘Toma aí, te vira agora aí, meu irmão. Te vejo em 2026’”.

DESAFIOS POLÍTICOS PARA OS PRÓXIMOS ANOS

Mourão acredita que a nova configuração política, com um presidente de esquerda e um congresso de direita, obrigará ambos os lados a se aproximarem do centro, para conseguirem administrar o País.

Apesar disso, o general já tem planos para a eleição de 2026: o segredo para sair vitorioso, segundo ele, é abraçar um bom número de prefeituras, base do sistema político. E Bolsonaro pode não ser o nome escolhido para a disputa: “Com o Bolsonaro ou outro nome. Temos o Tarcísio [de Freitas], que ganhou uma eleição em São Paulo que ninguém esperava que ele ganhasse”, citou Mourão.

Embora não seja a única opção para a direita, na opinião de Mourão, Bolsonaro continua sendo visto como o líder do direcionamento político pelo vice, que argumenta que o presidente terá que entender sua nova posição para, assim, se movimentar.

“O presidente Bolsonaro, quando emergir do retiro espiritual dele, vai compreender que ganhou esse capital. Acho que ele tem que se posicionar no espectro político, trabalhar politicamente. Vai ser a primeira vez desde 1989 que ele não tem mandato. [..] É ele entender que agora ele terá uma posição dentro do PL”



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