'Lula não tem mais saco de governar', diz Ciro Gomes sobre a gestão política e econômica do governo

O pedetista deu entrevista ao PontoPoder nesta quinta-feira (22)

Matéria por  Ingrid Campos
22 de Junho de 2023 - 18:39
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O ex-ministro Ciro Gomes (PDT) voltou a criticar a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que se aproxima do fim do primeiro semestre de governo, nesta quinta-feira (22). Para o pedetista, o chefe do Executivo “garantiu a democracia” contra Jair Bolsonaro (PL), mas deixou a desejar na condução política e econômica do mandato.

“O Lula dissipou muito rapidamente um capital político extraordinário que ele ganhou por ser a negação do Bolsonaro, a negação do autoritarismo, da falta de compostura, a negação de tudo”, comentou em entrevista concedida ao PontoPoder conduzida por Jéssica Welma e Inácio Aguiar.

A relação com o centrão no Congresso Nacional – bloco fortalecido no último mandato, principalmente com o extinto orçamento secreto – também virou alvo da conversa.

“O acordo é o mesmo, quem está mandando e desmandando é o tal centrão, a emenda do relator continua exatamente como sempre foi, a roubalheira na Codevasf. [...] E o Lula não tem mais saco de governar, vive viajando, hoje está na Itália, está na França e tal, porque eu conheço bem ele. Ele não tem mais saco para tratar desses assuntos”, afirmou.

Condução econômica

O ex-ministro criticou, ainda, a medida provisória que criou faixas de descontos para carros populares e veículos de grande porte, com abatimentos de R$ 2 mil até R$ 8 mil. 

“O dinheiro que o Lula botou nesse negócio de estimular a venda de automóvel para a classe média, tirando R$ 8 mil, R$ 10 mil por unidade que vale R$ 80 mil, R$ 70 mil, dava para pagar todas as cirurgias eletivas que o Brasil tem, são mais de 2 milhões de pessoas”, disse.

Ciro também citou a política de preços da Petrobras, a taxa de juros do Banco Central e a venda de estatais, cuja conduções seguem inalteradas neste governo.

“Eu financiei a construção da Lubnor aqui para o Ceará ter acesso a asfalto mais barato e o Brasil ter produção nacional de lubrificantes. Isso aqui foi feito pelo meu governo. Pois bem, o Bolsonaro vendeu isso por 1/3 do preço e o Lula está mantendo, não desfez o negócio”, lembrou.

Situada em Fortaleza, a venda da empresa foi anunciada no ano passado, o que desencadeou uma reação da Prefeitura e da Câmara Municipal – além de entidades trabalhistas – pela suspensão. O caso foi judicializado, mas o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou em definitivo a transação nesta semana.



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