Líder da bancada do Ceará tenta acordo e reabertura do sistema para resolver impasse sobre emendas

Divergência sobre destinação dos recursos, que são coletivos da bancada, pode prejudicar repasse de recursos

Matéria por  Alessandra Castro
06 de Dezembro de 2023 - 13:00
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Com o prazo para envio do relatório das emendas de bancada encerrado, o líder da bancada federal do Ceará, deputado Eduardo Bismarck (PDT), ainda tenta mediar um acordo para que o Estado não deixe de receber parte dos recursos. O impasse gira em torno da destinação de 50% do valor das emendas, cerca de R$ 158 milhões, para o Governo Elmano de Freitas (PT) bancar o plano de tratamento do câncer. 

No entanto, nem todos os parlamentares enviaram valores para o tratamento oncológico, o que gerou reação nos senadores Cid Gomes (PDT) e Augusta Brito (PT). Os dois não assinaram a ata do relatório da destinação das emendas de bancada, cujo prazo para envio acabou às 20h dessa terça (5). Como ao menos dois senadores precisam assinar o documento, corre o risco de o Ceará e os parlamentares ficarem sem nenhum recurso de emendas de bancada — já que o dinheiro poderá voltar para a União fazer a destinação como desejar. 

Apesar de ter enviado o relatório dentro do prazo para a Comissão Mista de Orçamento, o deputado Eduardo Bismarck não sabe o que pode ocorrer com a verba das emendas de bancada — se será destinado o que foi indicado no relatório ou se toda a verba (R$ 316 milhões) voltaria para a União. Por serem recursos da bancada, e não emendas individuais, parlamentares e Governo tentam acordo para que parte da verba financie grandes projetos no Estado.

Para tentar reverter a situação, ele disse que está procurando "cada parlamentar individualmente" para chegar a um consenso e solicitar uma abertura extraordinária do sistema para que a destinação das emendas de bancada não corra riscos. 

"Por enquanto, o sistema fechou, dois senadores não assinaram e estou procurando cada parlamentar individualmente para chegar a um acordo e tentar pedir uma abertura extraordinária do sistema — mas nem sei se isso é possível"
Eduardo Bismarck (PDT)
Líder da bancada federal do Ceará

Impasse 

O impasse sobre o envio de metade dos recursos das emendas de bancada para ações de interesse do Executivo Estadual já ocorre há vários anos. Na época da gestão do ex-governador Camilo Santana (PT), houve tensões entre os parlamentares de base e oposição para atender ao pedido do mandatário para destinar recursos para o Hospital Universitário da Universidade Estadual do Ceará (Uece).  

Apesar das rusgas, a bancada chegava uma definição — nem que fosse na data-limite. Desta vez, nem o calendário contribuiu para selar o acordo. 

Ao anunciar o plano de tratamento oncológico do Ceará, durante cerimônia de vistoria da estrutura física do Hospital, o atual governador Elmano de Freitas fez um aceno aos parlamentares federais, alegando que vai colocar uma placa no local com o nome de todos que destinaram recursos para o equipamento. A honraria seria ampliada nas demais ações financiadas com recursos de emendas da bancada. Os apelos, todavia, não foram suficientes. 

O impasse na bancada gira em torno de metade dos R$ 316 milhões, para que R$ 158 milhões fossem destinados para o tratamento do câncer no Estado — uma das promessas de campanha do petista. Todavia, deputados mais oposicionistas ao Governo são mais resistentes.  

Por isso, na proposta enviada na terça (sem assinaturas de Augusta e Cid), o Estado receberia R$ 145 milhões em recursos, sendo cerca de R$ 95 milhões para o tratamento oncológico. Como os senadores não assinaram, corre o risco de o Ceará não receber nem esse valor, assim como outros órgãos e municípios. 

Por meio de nota, o senador Cid Gomes reconheceu que não assinou e disse que já havia informado aos integrantes da bancada, em 21 de novembro, que “só assinaria a ata caso fosse assegurado o valor de 50% do total da bancada em custeio de MAC (ações e serviços de saúde na média e na alta complexidade nos estados e municípios) para o Estado do Ceará”.

A senadora Augusta Brito alegou que não assinou a ata porque quer garantir metade dos recursos para o tratamento do câncer no Ceará em todas as regiões.

"Eu botei toda parte que tenho direito para garantir recursos para o Estado fazer, em todas as regiões, o tratamento do câncer. Sou do Interior, sei da grande necessidade e do sofrimento das pessoas que tem que se deslocar para garantir seu tratamento", declarou.



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