Invasão ao CNJ e prisão na Itália: relembre por que Carla Zambelli foi condenada pelo STF

Em maio, por unanimidade, a 1ª turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Carla Zambelli a 10 anos de prisão

Matéria por  Redação
29 de Julho de 2025 - 20:02
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Nesta terça-feira (29), a deputada Carla Zambelli foi presa na Itália, após ter sido condenada em maio deste ano por hackear o sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A parlamentar fugiu para os Estados Unidos e em seguida para a Itália com o intuito de evitar a sua condenação.

Zambelli foi localizada pela polícia em um apartamento. “Carla Zambelli está em um apartamento em Roma. Forneci o endereço à polícia. Neste momento, a polícia está identificando Zambelli”, escreveu o parlamentar na rede social X.

CRONOLOGIA DE ZAMBELLI

CASSAÇÃO POR FAKE NEWS

Em janeiro desse ano, a deputada federal, do Partido Liberal (PL), teve seu mandato cassado e se tornou inelegível por oito anos, segundo decisão do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP)

O órgão eleitoral formou maioria, com 5 votos contra 2, e reconheceu que a parlamentar fez uso indevido dos meios de comunicação e praticou abuso de poder político nas eleições de 2022.

A ação foi proposta pela deputada federal Sâmia Bonfim (Psol). O caso começou ser julgado pelo TRE em dezembro, quando o relator José Antonio Encinas Manfré votou pela cassação e pela inelegibilidade.

No voto, ele enfatizou que a parlamentar publicou conteúdos que buscavam desacreditar o sistema eleitoral e disseminar informações falsas, como uma notícia inverídica sobre suposta manipulação das urnas eletrônicas em Itapeva, no Interior de São Paulo, durante as eleições gerais de 2022.

Ela tentou recorrer, mas o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) rejeitou os recursos da defesa e manteve a decisão sobre a cassação do diploma de deputada federal, por uso indevido dos meios de comunicação e a prática de abuso de poder político.

PORTE ILEGAL DE ARMA

Em março, Zambelli foi julgada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por perseguir um homem com arma na véspera do segundo turno das eleições de 2022, em São Paulo. Ela respondia por porte ilegal de arma.

No mesmo mês, o STF contabilizou maioria de votos para condenar Zambelli pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com uso de arma.

Seis ministros se manifestaram pela condenação: Gilmar Mendes (relator), Cármen Lúcia, Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Dias Toffoli. Este último, ao votar, apenas declarou: "Voto com o relator. Publique-se".

Além da condenação, a maioria dos ministros também votou a favor da cassação do mandato da parlamentar. O julgamento ocorre no plenário virtual da Corte.

Apesar da maioria formada, o processo foi suspenso por um pedido de vista do ministro Nunes Marques, que terá até 90 dias para finalizar sua análise. Antes da paralisação, o ministro Dias Toffoli antecipou seu voto, consolidando a decisão já encaminhada pelo ministro Cristiano Zanin no dia anterior.

INVASÃO AO CNJ

Em maio, por unanimidade, a 1ª turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Carla Zambelli a 10 anos de prisão e à perda do mandato pela invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ)

Além dela, o hacker Walter Delgatti também foi condenado a 8 anos de reclusão e, junto de Zambelli, terá de pagar uma indenização de R$ 2 milhões por danos morais e coletivos.

O colegiado foi formado pelos ministros Alexandre de Moraes, relator do caso, Flávio Dino, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Luiz Fux, que seguiu o voto de Moraes.

Pela proposta de Alexandre, Carla Zambelli fica condenada a 10 anos de prisão, inicialmente em regime fechado, perda do mandato parlamentar - a ser declarada pela Câmara dos Deputados após o trânsito em julgado - e inelegibilidade.

FUGA

Depois da última condenação, Carla deixou o Brasil. Segundo declaração de Zambelli, a época, o motivo da viagem seria um tratamento médico. Ela ainda pontuou, em live, que deveria pedir licença do mandato. 

Por conta disso, a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu, no início de junho, a prisão preventiva da ex-parlamentar. A solicitação foi enviada ao gabinete do ministro Alexandre de Moraes.

No mesmo mês, o nome da brasileira foi oficialmente incluído na lista de difusão vermelha da Interpol. A decisão ocorreu após pedido da Polícia Federal, por determinação do ministro Alexandre de Moraes.

No dia 7, Moraes decidiu transformar em definitiva a prisão preventiva expedida contra a deputada.



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