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Início da CPI das associações militares na AL-CE tem embates e cobranças de informações

Parlamentares derrubaram pedido de vistas e trocaram insinuações de acusações de cunho pessoal; quatro requerimentos foram aprovados

Escrito por Felipe Azevedo felipe.azevedo@svm.com.br
31 de Agosto de 2021 - 18:30
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Legenda: Deputados têm até 120 dias para concluir os trabalhos e apresentar um relatório no âmbito da CPI
Foto: Fabiane de Paula

Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das associações militares, instalada na Assembleia Legislativa, aprovou nesta terça-feira (31) os primeiros requerimentos de solicitação de informações no âmbito das investigações. A primeira reunião do colegiado foi marcada por clima de tensão - inclusive com troca de acusações envolvendo a vida pessoal de deputados estaduais.

A CPI apura o financiamento das entidades e eventual atuação delas no âmbito do motim de policiais militares ocorrido no início de 2020 no Ceará.  

Os embates ocorreram entre os deputados Soldado Noélio (Pros) e Romeu Aldigueri (PDT), e entre Delegado Cavalcante (PTB) e Salmito Filho (PDT), que é o presidente da comissão.

Quatro requerimentos foram aprovados logo no início dos trabalhos. Eles foram apresentados por Elmano de Freitas (PT), Nizo Costa (PSB) e Queiroz Filho (PDT), vice-presidente da CPI. 

Houve, no entanto, uma tentativa por meio do Soldado Noélio de pedir vistas e, por consequência, adiar a deliberação dos requerimentos. A presidência do colegiado, porém, entendeu que esse tipo de pedido não consta no Regimento Interno da Casa. 

“Não cabe [o pedido], porque requerimento não tem relator e não tem parecer. O pedido de vistas faz referência à análise do parecer. Não tem pedido de vistas”, justificou o presidente.  

Acusações

A reunião teve um momento tenso, quando Soldado Noélio, após ter o pedido de vistas derrubado, passou a comentar sobre questões da vida pessoal do deputado Romeu Aldigueri (PDT), autor do pedido de CPI.  

Aldigueri, por sua vez, negou as denúnicas e destacou que não responde por nenhuma investigação. Ele também recorreu a episódios anteriores e de cunho pessoal do deputado do Pros. 

Clima acirrado

Representante da categoria dos policiais militares, Delegado Cavalcante – que é suplente no colegiado -, chegou a dizer que a CPI não teria objeto definido, e que as ações do colegiado estariam embasadas em motivações políticas.  

“Estou aqui quase que obrigado para defender a minha classe da injustiça. O pilar da democracia é o contraditório”, disse o deputado. 

O  presidente do colegiado, Salmito Filho, argumentou que o colega era um dos 32 parlamentares que assinaram o pedido de abertura da CPI, e que, portanto, teria concordado com a abertura das investigações.  

“Se vier para cá para desqualificar, essa presidência vai reagir não com grosseria, mas com firmeza, clareza e objetividade. Estamos aqui para trabalhar pelo interesse público [...], vossa excelência não vai ganhar no grito, disse o presidente.

Duração

A CPI volta a se reunir no próximo dia 8 de setembro, quarta-feira. O colegiado tem o prazo de 120 dias para finalizar os trabalhos. Além dos encontros semanais, estão previstas sessões extraordinárias.

Ao fim do processo - que envolve também possíveis depoimentos -, um relatório é apresentado e enviado ao Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) e outros órgãos, aos quais cabe tomar eventuais providências, a depender das investigações.

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