Ex-diretor da APS diz que decisões tomadas pela Associação passavam pelo “crivo” de Capitão Wagner

Parlamentar ainda não comentou sobre as acusações

Matéria por  Igor Cavalcante
19 de Abril de 2022 - 18:15
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Em depoimento à CPI das Associações Militares, na Assembleia Legislativa do Ceará (AL-CE), o policial militar Elton Regis do Nascimento, ex-diretor da Associação dos Profissionais da Segurança (APS) do Ceará, contradisse informações de ex-diretores, ex-presidentes e até do atual presidente da entidade.

O agente informou que as decisões tomadas pela associação passavam pelo “crivo” do deputado federal Capitão Wagner (UB) mesmo depois que ele deixou o cargo de presidente.

“Não tinham decisões importantes na diretoria que não passassem pelo crivo do Capitão Wagner”, disse o ex-diretor. "A gente sabia que havia essa consulta. Isso era fato", acrescentou Regis ao relator da CPI, o deputado estadual Elmano de Freitas (PT). 

Elton Regis ocupou os cargos de diretor de inativos, conselheiro fiscal e diretor financeiro da APS.

ACOMPANHE A CPI

O agente ainda implicou acusações semelhantes ao deputado estadual Soldado Noélio (UB) e ao vereador Sargento Reginauro (UB). Segundo o ex-diretor, os três parlamentares compunham um seleto grupo que tomava decisões e ditava os rumos da entidade, escolhendo inclusive a atual gestão da APS.

“Sargento Reginauro participou de reuniões com diretores (mesmo após seu afastamento) para tratar de assuntos da APS, inclusive para decidir a composição da chapa atual, da diretoria atual da APS”, afirmou. 

“Crivo”

De acordo com o ex-diretor, em uma dessas reuniões, inclusive, foi decidido afastá-lo da direção da entidade. Segundo Regis, essa decisão foi tomada pela “santíssima trindade” da APS.

“Eu sempre me referi assim a determinadas pessoas, normalmente eram três pessoas à frente da APS, que muitas vezes tomavam as decisões e a diretoria era só comunicada. Eu me referia a eles como ‘santíssima trindade’, eles que decidiam e o restante tinha só que acatar”, afirmou.

Questionado pelo relator, Regis nomeou a quem se referia. “Teve um momento de mudança, mas quando o Capitão Wagner foi presidente, era ele, Sargento Reginauro e Noélio. Às vezes, com participação do Cleyber Araújo (atual presidente da APS)”, acrescentou.

Elton Regis também disse que os advogados que trabalham para a APS são indicados por políticos, especialmente por Wagner. “Quase todos, normalmente pelo presidente ou pelo Capitão Wagner, mas a maioria era indicação política”, concluiu.

"Incapaz"

Em entrevista ao Diário do Nordeste, o vereador Sargento Reginauro rebateu as falas do depoente. "É estatutário que todo associado pode participar de uma reunião de diretoria ou assembleia, mas sem poder de veto ou voto. O que tivemos aqui hoje foi o depoimento de um ex-diretor que colocou, como respondeu ao deputado Noélio, ser incapaz de exercer suas funções, já é afastado dos quadros, está com um laudo de interdição e com a perspetiva de se aposentar por isso", disse.

O parlamentar ainda alegou que o ex-diretor agiu por interesses políticos. "Ele não aceitou não ter sido escolhido para ficar na diretoria e lamentavelmente tenta agredir, nas redes sociais, o grupo político a que ele se colocou como opositor, do Wagner, do Bolsonaro etc. Não entendo (esse depoimento) como algo que mereça relevância", concluiu.

As assessorias de imprensa dos deputados Capitão Wagner e Soldado Noélio foram procuradas pela reportagem, mas não houve posicionamento até a publicação desta matéria.



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