Ex-comandante da FAB revela que Bolsonaro foi alertado sobre prisão por trama golpista

Declaração foi durante depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF) no dia 21 de maio

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
03 de Junho de 2025 - 18:47
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O ex-comandante da Aeronáutica Carlos de Almeida Baptista Júnior revelou, em depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF), que o ex-presidente Jair Bolsonaro foi alertado sobre possível prisão caso a tentativa de golpe fosse concretizada. O brigadeiro deu a declaração no último dia 21 de maio, mas o relato foi tornado público por decisão do ministro Alexandre de Moraes, nesta terça-feira (3).

Durante depoimento, Baptista explicou que o alerta da prisão partiu do general Freire Gomes, ex-comandante do Exército, durante uma reunião realizada no Palácio da Alvorada, em 2022. 

“General Freire Gomes é uma pessoa polida, educada. Logicamente, ele não falou essa frase com agressividade com o presidente da República, ele não faria isso, mas é isso que ele falou. Ele falou com muita tranquilidade, com muita calma, mas colocou exatamente isso. ‘Se o senhor tiver que fazer isso, eu vou ter trabalho e lhe prender’”.
Carlos de Almeida Baptista Júnior
Ex-comandante da Aeronáutica

Baptista Júnior era responsável por comandar a Aeronáutica na gestão de Jair Bolsonaro. Ele ainda compartilhou a forma que reagiu ao receber a minuta do golpe na reunião realizada no dia 14 de dezembro de 2022. O documento foi entregue pelo ministro da Defesa da época, Paulo Sério Nogueira.

“Falei: ‘Esse documento prevê a não-assunção no dia 1º de janeiro do presidente eleito?’ Ele falou que sim. E aí eu falei: ‘Não admito sequer receber esse documento, não ficarei aqui’. Levantei, saí da sala e fui embora”, contou.

Encontro no Palácio da Alvorada

O encontro teria ocorrido após o segundo turno das eleições de 2022, que concretizou Lula como presidente com pouco mais de 60,3 milhões de votos. Além de Bolsonaro, também estavam os comandantes das Forças Armadas. Foi nesse encontro que Freire Gomes alertou sobre a possível prisão, segundo o g1

"Durante as discussões, como eu disse, a partir do dia 11, dia 14 [de novembro] nós começamos a imaginar que os objetivos políticos de uma medida de exceção não eram para garantir a paz social até o dia 1º de janeiro. E foi dentro desse contexto que o general Freire Gomes colocou (a questão da prisão)", disse Baptista.

"(O alerta de prisão) foi no âmbito dessa discussão de possíveis estados de exceção sem os pressupostos necessários para que eles sejam feitos", completou.



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