Domingos Filho diz que sabia que Elmano venceria em 2022, mas não se arrepende de aliança com PDT

O presidente do PSD hoje é rompido com José Sarto, aliado de Roberto Cláudio na Capital

Matéria por  Bruno Leite
26 de Outubro de 2023 - 20:25
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O presidente do Partido Social Democrata (PSD) no Ceará, Domingos Filho, disse, nesta quinta-feira (26), em entrevista exclusiva ao PontoPoder, que não se arrepende da manutenção da aliança com o Partido Democrático Trabalhista (PDT) na disputa eleitoral pelo Palácio da Abolição, em 2022, embora tinha certeza que Elmano de Freitas venceria a disputa. Na corrida pré-eleitoral, os partidos haviam rompido com o Partido dos Trabalhadores (PT), com quem mantinham relação, e foram derrotados no pleito pelos ex-aliados.

Nas palavras do entrevistado, a postura adotada considerou os termos do tratado firmado entre as legendas quando ainda faziam parte do mesmo bloco. "Não mudaria, porque o nosso partido fez um acordo e uma aliança, não tivemos nada a ver com a disputa e a briga entre o PT e o PDT. Nossa convenção lançou Camilo para senador, Roberto para governador e Domingos Filho para vice, porque isso era o pacto. Depois, veio à tona que havia um acordo que nunca nos foi passado", disse. 

Ao que argumentou Domingos, a sua conduta respeitou também sua trajetória pública. "Jamais iria escrever em minha biografia, por isso eu digo que tomaria a mesma posição, embora sabia que quem ia ganhar era o Elmano", completou, elencando como evidências para tal constatação o apoio do então candidato à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva e o alto índice de aprovação do ex-governador Camilo Santana.

"Minha história política sempre foi de tomar posição e ir até o final, manter e sustentar palavras, porque acho que isso dignifica a participação", argumentou logo em seguida. Para ele, "não pode estar na política somente pelo senso de oportunidade", pois isso comprometeria a credibilidade e a confiança para ter conversas futuras com outras "pessoas e partidos".

Rompimento em Fortaleza

O rompimento do PSD e PDT na Capital veio em agosto deste ano, dez meses depois da eleição estadual. A saída da base da administração do prefeito José Sarto e a entrega dos cargos se deu momentos antes da nomeação do social democrata e deputado federal Célio Studart para a recém-criada Secretaria da Proteção Animal do Estado. A movimentação foi considerada pelo dirigente como uma "reaproximação".

Em setembro, durante entrevista à Verdinha e TV Diário, algumas semanas antes do que seria a vitória de Elmano para o Governo do Estado, Domingos teceu críticas aos membros do PT. Ele disparou que houve uma "ingratidão" no processo que causou o fim do "tripé de alianças" e chegou a conceituar o partido como "predador". O ex-governador Camilo Santana foi acusado de "soberba".

Entrevista completa

Acirramento

Hoje, numa condição distinta, ele fez um mea-culpa ao mencionar o que aconteceu no passado. "Também na política, há momentos em que somos mais ácidos numa crítica a partidos, embora temos aliados, ou tenhamos sido, ou que seja, ou que possa ser. Assim como recebemos também. E a campanha política, às vezes, acirra essas posições", justificou.

Por fim, ele reforçou o que havia dito antes: "Manteria a mesma posição que mantive, se as circunstâncias fossem as mesmas", retomou, citando que, se fossem alertados sobre os supostos acordos paralelos que estavam colocados naquele momento".

O citado acordo oculto é negado por setores do PDT. Entretanto, membros da agremiação trabalhista, incluindo o senador Cid Gomes, afirmam que havia um trato para que a ex-governadora Izolda Cela fosse candidata a reeleição. 



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