Dois generais do Ceará são alvos de operação da Polícia Federal contra Bolsonaro nesta quinta (8)

Investigações apontam que ambos tiveram participação direta na articulação de um Golpe de Estado coordenado por Bolsonaro e auxiliares

Matéria por  Bruno Leite
08 de Fevereiro de 2024 - 12:58
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Dois militares do Ceará, próximos ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), foram alvos da Operação Tempus Veritatis, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (8) contra investigados por tentar dar um golpe de Estado e anular o resultado das eleições de 2022, em que o ex-chefe do Planalto saiu derrotado.

Identificados como Estevam Theophilo e Paulo Sérgio Nogueira, ambos são generais do Exército Brasileiro. O primeiro foi comandante de Operações Terrestres (COTER) do Exército em 2022 e é irmão de Guilherme Theophilo, ex-secretário de Segurança Pública da gestão Bolsonaro, candidato ao Governo do Ceará em 2018. Já o outro esteve na cadeira de ministro da Defesa entre abril e dezembro de 2022.

Ao que aponta o mandado, assinado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, ambos tiveram mandados de busca e apreensão decretados.

Eles estão proibidos de se ausentar do País e de manter contato com os demais investigados, inclusive por intermédio de advogados. Estevam Theophilo, especificamente, foi suspenso do cargo que ocupa nas Forças Armadas.

Diário do Nordeste procurou o irmão de Estevam Theophilo a fim de obter outras informações sobre o caso e aguarda uma resposta. A reportagem não conseguiu localizar a defesa de Paulo Sérgio até a publicação da matéria. 

Segundo as investigações, Paulo Sérgio teria participado ativamente das reuniões com Jair Bolsonaro nos meses seguintes à realização do segundo turno das eleições gerais e, conforme indica a Polícia, teve acesso à minuta golpista apresentada para comandantes do Exército e da Marinha. 

O documento mencionado detalhava supostas interferências do Judiciário, decretava a prisão de magistrados e parlamentares e determinava a realização de um novo pleito.

O ex-ministro da Defesa também levantou suposições sobre a violabilidade das urnas eletrônicas e uma manipulação dos resultados eleitorais pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em encontro aberto com outros auxiliares, realizado em julho de 2022, ele chegou a considerar a Corte como um "inimigo". 

A PF também apontou que Paulo Sérgio teria manipulado um relatório técnico produzido pelas Forças Armadas sobre o Sistema Eletrônico de Votação. O procedimento foi coordenado pela pasta que comandava e teve a divulgação postergada devido à ausência de dados que confirmassem a suposta vulnerabilidade alegada pelo grupo político que integrava.

Estevam Theophilo, por sua vez, era membro de um núcleo de oficiais de alta patente que teriam agido para influenciar e incitar apoio aos demais núcleos envolvidos na tentativa de golpe. Eles teriam endossado ações e medidas a serem adotadas para a ruptura do Estado Democrático de Direito.

O general de quatro estrelas seria um dos que utilizaram diretamente do cargo público para executar o propósito do grupo criminoso, tanto em ações que viabilizassem o golpe quanto para eximir uma possível responsabilidade criminal pelos atos realizados até ali, segundo a investigação. 

Theophilo teria se reunido com Bolsonaro e o ajudante de ordens Mauro Cid no Palácio da Alvorada. Na oportunidade, pelo que atestam os diálogos encontrados pela Polícia Federal no celular de Cid, ele teria consentido com a intervenção, desde que o então presidente assinasse a medida. As Forças Especiais do Exército seriam responsáveis pela prisão de Alexandre de Moraes.

Ele esteve no Alto Comando do Exército entre março de 2022 e novembro do ano passado, já durante o mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Quando no controle do COTER, o militar tinha sob seu comando o maior contingente de tropas do Exército.

 



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