Deputados tentam aprovar Refis para dívidas de prefeitos com TCE no Ceará, mas emenda é retirada

Medida deve retornar à Casa por meio de iniciativa do próprio Tribunal de Contas

Matéria por  Marcos Moreira
14 de Outubro de 2025 - 17:57
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A Assembleia Legislativa do Ceará (Alece) rejeitou uma emenda que pretendia incluir as dívidas de prefeitos e outros gestores públicos junto ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-CE) no Programa de Parcelamento de Débitos Fiscais (Refis) do Governo, com desconto de até 40% do valor. No entanto, a iniciativa está em negociação com o próprio TCE e deve voltar para pauta nos próximos dias, conforme anunciou o líder do Governo Elmano de Freitas (PT) na Casa, o deputado Guilherme Sampaio (PT).

A emenda era de autoria do presidente da Casa, Romeu Aldigueri (PSB), e foi ao Plenário junto ao projeto original de renegociação, aprovado nesta terça-feira (14). Contudo, Guilherme Sampaio apresentou um parecer contrário ao texto, mesmo subscrevendo a proposta.  

Após a aprovação do projeto, Sampaio explicou que a proposição foi rejeitada após um entendimento com a Presidência de que seria melhor buscar o diálogo institucional com o próprio TCE. Segundo o parlamentar, a ideia é beneficiar gestores que, muitas vezes, sofrem processos "inerentes" à gestão pública.

"Nos próximos dias, a Assembleia Legislativa pactuará a formação de um grupo técnico com o Tribunal de Contas do Estado, para que o próprio Tribunal, por sua iniciativa, alcançando também outros objetivos legislativos do TCE, de modernização da sua institucionalidade, possa alcançar essa contribuição que a Assembleia Legislativa quis dar nessa matéria, e que nós julgamos que era mais pertinente construirmos junto com o órgão de contas"
Guilherme Sampaio
Líder do Governo Elmano na Alece

RENEGOCIAÇÃO DE DÉBITOS

Em retorno ao PontoPoder, via assessoria, Guilherme Sampaio disse que ficou acertado, com as presidências da Alece e do TCE-CE, a formação de um grupo técnico com a participação de colaboradores de ambas as instituições. O objetivo é discutir a possibilidade de repactuação de créditos de longa data, relativos a multas e juros incidentes sobre penalidades aplicadas a gestores. 

“A proposta visa atender a uma preocupação do parlamento em recuperar esses créditos e dar a oportunidade a esses gestores, especialmente secretários municipais, para regularizarem sua situação, haja vista a fragilidade de sua condição econômica e consequentemente de viabilizar sua defesa jurídica junto ao TCE, tendo como consequência uma alta inadimplência das multas aplicadas pelo órgão”, ressaltou o líder do Governo Elmano. 

O PontoPoder também buscou a presidência da Assembleia e o Tribunal de Contas para saber mais detalhes da iniciativa. A matéria será atualizada assim que houver retorno. 

REFIS PARA GESTORES

O projeto inicial do Refis prevê apenas descontos e condições especiais de pagamento em dívidas dos contribuintes, como do IPVA, do Imposto de Circulação de Mercadorias e Prestações de Serviços (ICMS) e junto ao Detran-CE. A previsão é que a adesão ao programa inicie em 15 de outubro e siga até 15 de dezembro de 2025.

Caso a emenda de Romeu Aldigueri fosse aprovada, os débitos de gestores públicos passariam a compor o pacote de condições especiais para quitação. Os descontos previstos variavam conforme o número de parcelas, com modalidades condicionadas da seguinte forma: 

  1. redução de 40% (quarenta por cento) do seu valor original, incluídos juros, se pago integralmente, à vista, até 28 de novembro de 2025;
  2. redução de 30% (trinta por cento), se pago em até 3 (três) parcelas mensais e sucessivas, desde que a primeira seja recolhida até o dia 28 de novembro de 2025 e as demais parcelas sejam pagas até o último dia útil dos meses seguintes, corrigidas pela taxa Selic quando dos respectivos pagamentos;
  3. redução de 20% do seu valor original, se pago de quatro a 12 parcelas mensais e sucessivas, desde que a primeira seja recolhida até o dia 28 de novembro de 2025 e as demais parcelas sejam pagas até o último dia útil dos meses seguintes, corrigidas pela taxa Selic quando dos respectivos pagamentos.

Na justificativa, Romeu Aldigueri pontuava que a medida fortaleceria a política de equilíbrio fiscal do Ceará e contribuiria para a melhoria da governança pública e da gestão responsável dos recursos públicos.

“A proposta amplia o alcance e a efetividade da política pública de regularização fiscal delineada pelo Poder Executivo, estendendo seus benefícios a uma categoria de débitos igualmente de natureza pública, e cuja recuperação se mostra relevante para a saúde fiscal do Estado e para a função pedagógica e corretiva do controle externo”
Justificativa da emenda de Romeu Aldigueri

COMO SERÁ O REFIS

Além de IPVA e ICMS, o programa de Refis também inclui dívidas de Imposto sobre a Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCD) e em operações de crédito do Banco do Estado do Ceará (BEC) e do Fundo de Desenvolvimento Urbano (FDU). A ideia é estimular a regularização fiscal no Ceará por meio da redução de multas, juros e penalidades, além da possibilidade de parcelamento. 

O Refis engloba débitos gerados até 31 de dezembro de 2024. A previsão é que a entrada no programa inicie em 15 de outubro e siga até 15 de dezembro de 2025. O procedimento de adesão é formalizado com pagamento da parcela única ou da primeira parcela até o dia 15 de dezembro deste ano.

Os descontos previstos variam conforme o número de parcelas e o tipo de imposto do débito, com prazos específicos de pagamento. Segundo o projeto, a variação será segmentada da seguinte forma para redução no valor de multas e juros:

  • ICMS – de 65% a 100%
  • ITCD – de 30% a 100%
  • IPVA – de 40% a 100%

De autoria do Poder Executivo, a matéria tramitou em regime de urgência e foi aprovada por unanimidade. A justificativa do PL 83/25 defende que o programa servirá como estímulo à economia, alívio financeiro a contribuintes e empresas, redução da litigiosidade e incremento da arrecadação, sem comprometer o equilíbrio das contas públicas.



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