Das cidades mais jovens do Ceará, Eusébio deve enfrentar disputa de ex-prefeitos nas eleições

Criado em 1987, o município só teve quatro prefeitos em toda a sua história; ao menos três deles devem participar direta e indiretamente do pleito de outubro

Matéria por  Ingrid Campos
25 de Fevereiro de 2024 - 14:00
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Quando se trata de eleições, cada município tem a sua complexidade, e Eusébio leva a sério essa sina. Lá, o prefeito Acilon Gonçalves (PL) pretende dar continuidade à estratégia de manutenção de poder iniciada há 20 anos, quando foi eleito ao Executivo pela primeira vez. Governou por dois mandatos e emplacou um aliado na sucessão, em 2012. 

José Arimatea Júnior, então, comandou a cidade entre 2013 e 2016, ano em que Acilon disputou novamente a Prefeitura nas urnas e saiu vitorioso. Em 2024, o gestor finaliza mais uma dupla de mandatos consecutivos na gestão de Eusébio e quer lançar Arimateia mais uma vez para a disputa. 

A tática – replicada em municípios como Maracanaú – tem evitado uma disputa profunda dentro do próprio bloco pela indicação ao pleito e uma ascensão da oposição local nos últimos anos.

A movimentação, contudo, não tem impedido investidas rivais. Em Eusébio, a disputa na base e na oposição funciona em paralelo com Aquiraz, não apenas devido à história e geografia da região, já que a primeira foi emancipada da segunda em 1987.  

Do ponto de visto político, é intenção do grupo de Acilon manter as prefeituras que já têm atualmente, em especial a de Aquiraz, governada por seu filho Bruno Gonçalves (PL). No município vizinho, a oposição se concentra em um nome, o do vereador Jair Silva (PP), apoiado pelo ex-prefeito Edson Sá (PSB).

O termo “ex-prefeito” é ambíguo no texto porque ele já governou tanto Aquiraz quanto Eusébio. Esta é outra peculiaridade da cidade gerida por Acilon: hoje em grupos adversários, os dois já chegaram a estabelecer aliança há alguns anos. 

Sintetizando esse cenário, vê-se outro fato curioso: a cidade de 36 anos só teve quatro prefeitos em toda a sua história. Há municípios mais jovens, como Catunda e Choró, instituído nos anos 90, com uma galeria mais ampla. Ambas tiveram cinco gestores. 

Em busca de retorno

Edson Sá é veterano em Eusébio. Tanto que foi o primeiro prefeito da cidade, eleito em 1988 pelo PSDB. Àquela altura, a cidade completava apenas um ano de emancipação de Aquiraz. 

O mandato seguiu até 1992, quando foi substituído por Raimundo Damasceno Silva. Vale destacar que o direito à reeleição só foi garantido em Emenda Constitucional de 1997, sob a gestão de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Foi naquele ano que Edson voltou à Prefeitura, conquistando a recondução em 2000. Nesse período, teve como vice-prefeita Marta Gonçalves, atualmente deputada estadual pelo PL e esposa de Acilon.   

Em 2004, Edson recalculou a rota e lançou-se candidato em Aquiraz ainda como prefeito de Eusébio. A investida não foi para a frente e quem se elegeu na primeira foi Ritelza Cabral e na segunda foi Acilon. Edson, então, manteve a estratégia e conseguiu chegar ao Executivo de Aquiraz, mas sem tirar o pé de Eusébio. No seu berço político, emplacou a filha Leca Sá como vice de Acilon. 

“Mas vice não manda em nada, tem que ficar caladinha”, relata a ex-vice-prefeita. “Mas não existe briga, existem divergências politicas. Uma coisa é ser inimigo, outra é divergir na política”, completa. 

No ano de 2012, a vitória de Arimateia nas urnas de Eusébio frustrou os planos do então gestor de Aquiraz de retornar ao seu berço político. O fluxo entre os dois municípios e problemas de desincompatibilização lhe tornou símbolo cearense do termo “prefeito itinerante”, que chegou a ser objeto de julgamento pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até pouco mais de dez anos atrás.



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