Cearense preso em Brasília por ataques recebeu R$ 2 mil de André Fernandes para ações de campanha

Assim como o prestador de serviços, o parlamentar também é alvo de investigação por suposta incitação às ações golpistas contra a democracia brasileira

Matéria por  Igor Cavalcante
09 de Fevereiro de 2023 - 18:24
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Preso em Brasília pela atuação nos atos terroristas registrados na Capital Federal no último dia 8 de janeiro, o cearense Wenderson Luiz Brandão Barros, 23, foi contratado, meses antes, pelo deputado federal André Fernandes (PL) para “serviços gerais” em prol de sua candidatura nas eleições do ano passado. 

Assim como o prestador de serviços, o parlamentar também é alvo de investigação por suposta incitação às ações golpistas contra a democracia brasileira. Conforme o Diário do Nordeste mostrou na última quarta-feira (9), 15 cearenses estão presos no Distrito Federal e outros 11 são monitorados por suspeita de terem participado dos atos que vandalizaram as sedes dos Três Poderes em 8/1. 

Wenderson recebeu o pagamento pela prestação dos serviços no último dia 1º de setembro, segundo consta na Justiça Eleitoral, sob justificativa de “despesa com pessoal”.

Outros dois cearenses suspeitos de terrorismo, por outro lado, fizeram doações para o candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PL), que acabou derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Fernandes é o principal aliado do ex-presidente no Ceará. 

Investigação

No último dia 24 de janeiro, André Fernandes tornou-se alvo de inquérito que investiga os atos terroristas registrados em Brasília em 8/1. A apuração foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que atendeu ao pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Fernandes é suspeito dos crimes de “terrorismo, associação criminosa, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, ameaça, perseguição e incitação ao crime”. 

O cearense publicou, na sexta-feira (6), antevéspera dos atos golpistas, vídeo e comentário no Twitter afirmando que no fim de semana ocorreria o primeiro ato contra o governo Lula. Depois da invasão, ele postou foto da porta do gabinete do ministro Alexandre de Moraes vandalizada pelos terroristas com a legenda: “quem rir vai preso”.

O parlamentar nega que tenha incitado atos golpistas. “Não tinha como adivinhar a tragédia que iria acontecer. Não participei do ato, não estive em Brasília sequer, não incentivei e ainda fui um dos primeiros a repudiar os atos de vandalismo”, escreveu André Fernandes em mensagem ao Diário do Nordeste.

Nesta quinta-feira, o deputado confirmou que Wenderson prestou serviço durante um mês na campanha eleitoral.

“Nunca prestando serviço ao seu gabinete ou privadamente. O cidadão não teve, nesse curtíssimo tempo, atribuição ou participação nos atos decisórios da campanha, limitando-se a prestar serviços de execução de atos de propaganda, divulgação e guarda dos materiais e equipamentos”, informou o deputado em nota.

“Acrescente-se que, nem antes nem depois desse período curto, o senhor Wenderson manteve vínculo, ainda que de simples prestação de serviços com o deputado André Fernandes. Quaisquer tentativas de vinculação de participantes dos atos do dia 8/1 ao deputado são especulação incompatíveis com a postura do parlamentar, que nos últimos dias tem reunido assinaturas para ser instalada CPMI que investigará e responsabilizará as reais participações e omissões nos referidos atos”
André Fernandes (PL)
Deputado federal

R$ 3 em doações

Há ainda cearenses presos no Distrito Federal que constam como doadores de campanha. Eles somam repasses para o mesmo candidato: o ex-presidente Jair Bolsonaro. O montante doado foi de R$ 3.

Tiago Pereira do Nascimento, 26, que atualmente está preso, doou R$ 2 para a campanha do ex-mandatário. Monitorada por tornozeleira eletrônica, a cearense Cecília Pereira do Nascimento, 34, doou R$ 1.

Os valores representam uma mobilização do eleitorado bolsonarista mais fiel para seguir uma teoria conspiracionista. Durante as últimas eleições, esse grupo de eleitores enviou valores baixos em uma tentativa de usar os recibos como “arma antifraude” para contabilizar os votos do então candidato.



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