‘Careca do INSS’ não responde perguntas em CPMI e diz que apelido é 'fantasioso'

Empresário negou participação em fraudes nas aposentadorias e afirmou ser apenas um empreendedor

Escrito por Lucas Monteiro lucas.morais@svm.com.br
25 de Setembro de 2025 - 17:34
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O empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, prestou depoimento à CPMI do INSS nesta quinta-feira (25) e negou qualquer envolvimento no esquema de fraudes em aposentadorias.

Apontado pela Polícia Federal como lobista que teria desviado R$ 24,5 milhões em apenas cinco meses, Antônio Carlos se recusou a responder às perguntas do relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL).

“Não responderei às perguntas elaboradas pelo relator. Segundo meus advogados, Sua Excelência disse, por mais de uma vez, que sou ladrão do dinheiro de aposentados, sem me dar a chance de defesa”, declarou.

Defesa e silêncio

Beneficiado por habeas corpus concedido pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), o empresário não foi obrigado a dizer a verdade durante o depoimento. Ele está preso desde 12 de setembro.

No breve pronunciamento que fez à comissão, classificou sua prisão preventiva como “medida extremamente grave, baseada em premissa absolutamente equivocada” e afirmou não ter ligação com servidores do INSS ou com as fraudes investigadas.

Segundo a PF, empresas ligadas a ele funcionavam como intermediárias financeiras de associações investigadas por descontos fraudulentos em benefícios. Antônio Carlos negou essa versão e disse ser alvo de “mentira, inveja e calúnia” de um ex-parceiro comercial.

Rejeição ao apelido

Visivelmente contrariado, o empresário criticou a alcunha de “Careca do INSS”, afirmando que se trata de um personagem inventado.

“Jamais fui esse personagem fictício. Rótulo criado pelo senhor Eli Cohen, que induziu pessoas de bem, veículos de comunicação respeitados, profissionais de imprensa e toda a sociedade a acreditar em uma narrativa fantasiosa, construída a partir de uma leitura superficial de e-mails trocados entre duas entidades privadas". 

Ele acrescentou: “Não sou, nunca fui e nunca serei esse Careca do INSS que estão falando". 

Segundo a PF, empresas ligadas a ele funcionavam como intermediárias financeiras de associações investigadas por descontos fraudulentos em benefícios.
Legenda: Segundo a PF, empresas ligadas a ele funcionavam como intermediárias financeiras de associações investigadas por descontos fraudulentos em benefícios.
Foto: Edilson Rodrigues / Agência Senado.

Bate-boca e suspensão

Durante a sessão, o relator Alfredo Gaspar classificou Antunes como “quadrilheiro” e o responsabilizou pelo que chamou de “o maior roubo aos aposentados e pensionistas da história do Brasil”.

A declaração provocou reação do advogado Cleber Lopes, que defende o empresário, e deu início a um bate-boca com o deputado Zé Trovão (PL-SC). A confusão levou à suspensão temporária da sessão.



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