Câmara aprova urgência e acelera projeto que dificulta aborto legal em crianças

Texto suspende resolução que permite a interrupção da gravidez em menores de 14 anos em qualquer fase da gestação.

Matéria por  Redação
05 de Novembro de 2025 - 20:49
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A Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (4), o regime de urgência para o projeto de lei que restringe a realização do aborto legal em crianças. A medida foi aprovada por 313 votos a favor e 119 contra, o que faz com que o texto pule a fase das comissões e siga diretamente para votação no plenário.

A urgência foi assinada por 60 deputados de partidos como PL, Republicanos, MDB, PSD, PP, Novo e União Brasil. O projeto é de autoria da deputada Chris Tonietto (PL-RJ) e tem como relator o deputado Luiz Gastão (PSD-CE), que lidera a bancada católica da Casa.

O texto propõe suspender uma resolução do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), que determina que menores de 14 anos vítimas de violência sexual podem realizar o aborto em qualquer mês da gestação, conforme as situações já previstas em lei.

Segundo a resolução, o procedimento pode ser feito independentemente de boletim de ocorrência, decisão judicial ou comunicação aos responsáveis legais, de modo que esses fatores não representem obstáculos ao atendimento das vítimas.

A autora do projeto, a deputada Chris Tonietto (PL-RJ), defendeu a proposta afirmando que a resolução do Conanda é “ilegal” e “atentatória à vida”.
Legenda: A autora do projeto, a deputada Chris Tonietto (PL-RJ), defendeu a proposta afirmando que a resolução do Conanda é “ilegal” e “atentatória à vida”.
Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados.

O que muda

Caso o projeto seja aprovado, o Brasil poderá dificultar o acesso ao aborto legal para meninas e adolescentes que se enquadram nas situações já previstas no Código Penal:

  • gravidez resultante de estupro;
  • risco de vida para a gestante;
  • feto anencéfalo.

A resolução do Conanda, publicada em janeiro de 2024 pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, não tem força de lei, mas serve como norma orientadora para os serviços públicos de saúde. 

O texto estabelece procedimentos e diretrizes para garantir atendimento humanizado e seguro a crianças e adolescentes vítimas de violência sexual.

“O limite de tempo gestacional para a realização do aborto não possui previsão legal, não devendo ser utilizado pelos serviços como instrumento de óbice para realização do procedimento”, diz um dos trechos do documento.

Reações

A votação gerou forte reação de parlamentares contrárias ao projeto. “Menina não é mãe, estuprador não é pai. Respeitem a lei brasileira”, declarou a deputada Fernanda Melchionna (PSOL-RS) durante a sessão.

Por outro lado, a autora do projeto, Chris Tonietto, defendeu a proposta afirmando que a resolução do Conanda é “ilegal” e “atentatória à vida”. “Seu conteúdo, além de ilegal, importa na promoção de uma política atentatória ao mais basilar dos direitos humanos: a vida”, afirmou a deputada.

Próximos passos

Com a aprovação da urgência, o mérito do projeto deve ser votado ainda nesta quarta-feira no plenário da Câmara.



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