Brasil denuncia Israel na Corte Internacional de Haia por violação do território palestino

Itamaraty declarou que as violações "não podem ser aceitas ou normalizadas"

Matéria por  Redação
20 de Fevereiro de 2024 - 15:20
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O governo brasileiro denunciou Israel em audiência na Corte Internacional de Justiça, em Haia, apontando o país como culpado pela invasão de territórios palestinos. Segundo a delegação do Itamaraty, as violações "não podem ser aceitas ou normalizadas pela comunidade internacional". 

O Brasil se pronunciou durante as audiências realizadas pela Corte, também declarando os atos israelenses como "ilegais" e equivalentes a uma "anexação".

Durante a audiência, juízes internacionais foram chamados a se pronunciar sobre a situação palestina nos territórios ocupados. O momento só ocorreu após governos interessados expressarem as devidas defesas aos palestinos ou israelenses. Ao todo, 54 governos se inscreveram para pronunciamento.

O Brasil apontou como necessário que Haia se pronuncie para que "todos saibam" as implicações das consequências legais dos atos de Israel. Além disso, ainda avaliou como "indiscutível" a gravidade dos atos de Israel.

"A ocupação viola o direito do povo palestino por autodeterminação", pontuou o Itamaraty, também apontando os ataques israelenses como "desproporcionais e indiscriminatórios". 

Relação com Israel

Desde o início da guerra entre o Hamas e Israel, a relação entre o governo Lula e o país vem sendo marcada por diversas rusgas, como quando o embaixador de Israel no Brasil, Daniel Zonshine, participou de uma reunião na Câmara dos Deputados em que o ex-presidente do Brasil Jair Bolsonaro também compareceu. A demora pela liberação da saída de brasileiros que estavam na Faixa de Gaza também azedou a relação entre Brasília e Tel-Aviv.

As relações entre Brasília e Tel-Aviv eram melhores no governo de Jair Bolsonaro, que chegou a viajar a Israel. Netanyahu também viajou ao Brasil para participar da posse do ex-presidente em 2019.

No governo Dilma Rousseff, Israel chegou a chamar o Brasil de "anão diplomático" depois que a ex-presidente chamou o então embaixador brasileiro em Tel-Aviv para consultas em 2014, em meio a uma guerra entre Israel e o grupo terrorista Hamas. "Essa é uma demonstração lamentável de como o Brasil, um gigante econômico e cultural, continua a ser um anão diplomático", apontou Tel-Aviv na época.

Agora, a Corte máxima da ONU foi acionada a se pronunciar sobre a situação palestina por um pedido da Assembleia Geral da ONU. Além da situação em Gaza, a ocupação de regiões da Cisjordânia e de Jerusalém Ocidental também estão em pauta. 

Conforme análise de diplomatas brasileiros, os argumentos do Itamaraty já estavam prontos antes da eclosão da crise entre Lula e Netanyahu. 

O presidente brasileiro comparou as ações de Israel com os atos nazistas na Segunda Guerra Mundial. Em resposta, Israel declarou Lula "persona non grata", o que resultou em um pedido do Brasil para retirada do embaixador em Tel Aviv. 



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