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Após se aproximar de bolsonaristas no Ceará, Ciro volta a atacar ex-presidente: 'Tremenda burrice'

A fala de Ciro ocorre no mesmo dia em que Jair Bolsonaro virou alvo de mandados da Polícia Federal (PF), mas o pedetista não mencionou as diligências

Escrito por Ingrid Campos ingrid.campos@svm.com.br
18 de Julho de 2025 - 16:56 (Atualizado às 16:58)
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Legenda: Ciro Gomes publicou um vídeo no Instagram com críticas à Família Bolsonaro.
Foto: Reprodução/Instagram

O ex-ministro Ciro Gomes (PDT) usou mais uma vez as suas redes sociais para criticar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), nesta sexta-feira (18). Ele destacou a "extrema burrice" do líder do PL, dos seus familiares e de aliados políticos no embate entre os Estados Unidos e Brasil. Paralelamente, até onde se sabe, Ciro ensaiava uma aliança com bolsonaristas no Ceará, visando angariar apoio para as eleições de 2026. A declaração, agora, põe dúvida sobre o futuro dessa relação. 

Ele citou Bolsonaro ao comentar que o presidente Lula (PT) estaria se beneficiando eleitoreiramente do conflito com o presidente estadunidense Donald Trump e da exposição negativa da Família Bolsonaro no caso.

Querem polarizar? Sigam destruindo o nosso país. Vou tentar superar a minha tristeza e expressar a minha revolta com este quadro sempre, vendo o Lula fazendo piada com a gravidade da situação, mas claramente comemorando a grande besteira dos Bolsonaros - pai e filhos e aliados, como surpreendentemente até o governador de São Paulo (Tarcísio de Freitas)
Ciro Gomes (PDT)
Ex-ministro e ex-governador do Ceará

"Lula e Bolsonaro só pensam em eleição… O Brasil que se exploda!", escreveu, ainda, na legenda da publicação.

A fala de Ciro ocorre no mesmo dia em que Jair Bolsonaro virou alvo de mandados da Polícia Federal (PF), no processo em que é acusado de coordenar um plano de golpe de Estado. Como resultado, a corporação fez apreensões que vão subsidiar procedimentos judiciais posteriores. Bolsonaro também passará a ser monitorado 24 horas por dia com tornozeleira eletrônica e terá que permanecer em casa entre 19h e 6h, assim como no fim de semana e em feriados.

Apesar disso, o pedetista não citou em nenhum momento as diligências policiais contra Bolsonaro. O PontoPoder buscou o ex-ministro, por meio da sua assessoria de imprensa, para comentários acerca sobre como a operação poderia influenciar ou impactar a relação que estava em construção no Ceará. Até o momento, não houve retorno.

O posicionamento de Ciro teve repercussões imediatas. O deputado federal e futuro presidente do PL Ceará, André Fernandes, descartou apoio a Ciro e a Roberto Cláudio em 2026 e disse que o candidato ao Governo do Estado será do PL.

Histórico de intriga

Não é a primeira fez que a animosidade entre os dois se torna pública. Em 2022, por exemplo, Ciro chamou Bolsonaro de "presidente imbecil e criminoso", entre outros termos, durante a campanha eleitoral ao Planalto. Antes disso, em 2021, a Polícia Federal chegou a abrir um inquérito contra o pedetista a pedido de Bolsonaro, após entrevista em que o primeiro criticou o ex-presidente e o chamou de ladrão.

A antipatia se estendia ao entorno de ambos, mas o cenário mudou a partir de 2024, com a ida do deputado federal André Fernandes (PL) e do então deputado estadual Evandro Leitão (PT) ao segundo turno pela Prefeitura de Fortaleza. 

Ciro Gomes não participou de atividades de campanha de Fernandes nem declarou publicamente seu apoio durante o pleito. Entretanto, utilizou as redes sociais para tecer comentários contra Evandro Leitão (PT) por diversas vezes no segundo turno.

Numa dessas situações, em um comentário em uma página de humor que repercutiu o último debate promovido pela TV Verdes Mares entre os candidatos à prefeitura, na sexta-feira (25), o ex-governador do Ceará chamou Evandro de “ridículo”.

Já o ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio (PDT), um dos aliados mais próximos de Ciro, entrou de cabeça na campanha do PL. Correligionários, insatisfeitos com a postura de Ciro, apontaram um “apoio velado” dele ao PL na etapa final da disputa na cidade, após a derrota de José Sarto (PDT) no primeiro turno. O próprio Bolsonaro corroborou essa tese, em entrevista concedida em outubro do ano passado.

Meses depois, os principais envolvidos já davam demonstrativos mais claros de aproximação, com Fernandes tecendo elogios a Ciro e este declarando apoio ao pai do parlamentar, o deputado estadual Alcides Fernandes (PL), na campanha ao Senado em 2026.  

Eduardo Bolsonaro (PL), hoje alvo das críticas de Ciro sobre "burrice", até chegou a defendê-lo por processo relacionado a acusações contra o presidente Lula nas redes sociais. Em vídeos publicados, Ciro acusou Lula de se beneficiar de propina para implementar o programa de empréstimo consignado para trabalhadores do setor privado, batizado de "Crédito do Trabalhador".

Via redes sociais, Eduardo Bolsonaro criticou a ação ajuizada pela Advocacia-Geral da União (AGU) e defendeu que “qualquer voz que se levante contra Lula e esse establishment” acaba sendo “massacrado”. “Aí eu te pergunto, se o Ciro não tivesse denunciando a política pró-banco do Lula, será que estaria acontecendo isso daí com ele? É claro que não, né?”, questionou. 

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