Após Fux proibir interrupções em voto, Cármen Lúcia e Flávio Dino combinam apartes e voto resumido

Na quarta-feira (10), Fux fez um voto divergente do relator e impedir apartes dos colegas

Escrito por Igor Cavalcante igor.cavalcante@svm.com.br
11 de Setembro de 2025 - 15:34
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No terceiro dia de julgamento sobre a tentativa de golpe de Estado em 8 de Janeiro de 2023, a ministra Cármen Lúcia, quarta a votar na Primeira Turma do STF, prometeu adotar postura oposta à de Luiz Fux. Em indireta ao colega, ela disse que fará um voto “rapidíssimo” e concederá “todos” os pedidos de aparte durante sua fala. O ministro, na véspera, abriu divergência e leu seu voto por quase 13 horas, sem permitir interrupções.

Durante seu voto, Cármen Lúcia citou um trecho de um livro do escritor Victor Hugo, logo em seguida, o ministro Flávio Dino pediu um aparte.

“Todos, todos, desde que rápido. Nós mulheres ficamos dois mil anos caladas, nós queremos ter o direito de falar, mas concedo como sempre, está no regimento do Supremo, o debate faz parte dos julgamentos, tenho o maior gosto em ouvir, quem gosta de silêncio não é…”
Cármen Lúcia
Ministra do STF

Em tom descontraído, Dino brincou que usa uma “técnica” de banco de horas, fazendo votos curtos e muitos apartes durante o voto dos colegas. “Mas vai descontar tudo no meu?”, reagiu Cármen Lúcia, arrancando risadas do público e dos ministros. “Não, ainda tem o voto do ministro Zanin”, devolveu Dino.

Por fim, a ministra reforçou que pretende ser breve:

“A prosa com Vossa Excelência é sempre um gosto, tenha certeza (...) Eu escrevi 396 páginas, mas não vou ler, vou ler um resumo, não se preocupem”, disse.

Acompanhe ao vivo

Relembre quem são os réus do ‘núcleo crucial’ da trama golpista 

  1. Jair Bolsonaro: ex-presidente da República;
  2. Alexandre Ramagem: ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin);
  3. Almir Garnier: ex-comandante da Marinha;
  4. Anderson Torres: ex-ministro da Justiça e ex-secretário de segurança do Distrito Federal;
  5. Augusto Heleno: ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI);
  6. Paulo Sérgio Nogueira: ex-ministro da Defesa;
  7. Walter Braga Netto: ex-ministro de Bolsonaro e candidato a vice na chapa de 2022;
  8. Mauro Cid: ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.

O que está em julgamento?

O STF julga a ação penal 2668, que trata da denúncia oferecida pela PGR. São acusados 31 réus, divididos em quatro núcleos:

  • Núcleo 1: envolve oito réus, incluindo Bolsonaro, e é considerado o núcleo "central" ou "crucial" da articulação golpista.
  • Núcleo 2: conta com seis réus que são acusados de disseminar informações falsas e ataques a instituições democráticas.
  • Núcleo 3: é formado por dez réus associados a ataques ao sistema eleitoral e à preparação da ruptura institucional.
  • Núcleo 4: sete réus serão julgados por propagação de desinformação e incitação de ataques às instituições.


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