'A fome vai corroendo você por dentro', diz Lula ao se emocionar ao relembrar fome na infância

Discurso ocorreu durante reunião do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), em Brasília

Escrito por Beatriz Rabelo producaodiario@svm.com.br
05 de Agosto de 2025 - 20:05
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chorou após relembrar episódios de fome que viveu durante a infância e a juventude, durante uma reunião do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), em Brasília, nesta terça-feira (5). Segundo ele, foi apenas aos sete anos que comeu pão pela primeira vez, já que antes disso não havia lugar, nem dinheiro para comprar onde vivia. 

"Em 1965, eu arrumei emprego (...) as pessoas iam comer no bar, ou levavam marmita, e eu estava em uma situação tão precária que teve um dia que não levei marmita. Mas fui para o bar onde as pessoas comiam lanche", disse.

Os companheiros ofereceram comida, mas ele mentia, dizendo que não estava com fome. "E cada vez que eles colocavam o sanduíche de mortadela na boca, eu imaginava que era eu comendo o sanduíche. E ficava o tempo inteiro com vergonha de dizer que estava com fome e voltava para trabalhar". 

Ao comentar que esses episódios eram frequentes, Lula não conseguiu conter a emoção, e chorou, precisando de um tempo para se recuperar. 

Em seu discurso, ainda citou que a fome está atrelada a uma dor silenciosa, sendo necessário ter comprometimento e responsabilidade social do Estado para combater a miséria.

“Porque a fome não dói, a fome vai corroendo você por dentro (...) Qual é a alma de um ser humano que, ao discutir o orçamento, ouve falar em dinheiro para acabar com a fome e diz: ‘Não pode gastar’?"
Lula
Presidente do Brasil

Para ele, é preciso sentimento somado à técnica. “Você tem que ter sentimento. Se eu morresse hoje, eu estaria satisfeito. Porque o exemplo que vocês estão dando é um exemplo para o mundo.”

Brasil fora do Mapa da Fome 

No dia 28 de julho, o Brasil saiu mais uma vez do Mapa da Fome, segundo anúncio feito pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO/ONU), em Adis Abeba, na Etiópia. 

O resultado está presente no Relatório 'O Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo 2025, lançado pela FAO, agência da organização especializada em alimentação e agricultura, durante a 2ª Cúpula de Sistemas Alimentares da ONU (UNFSS+4). Os dados são referentes à média trienal 2022/2023/2024, situando o país abaixo do patamar de 2,5% da população em risco de subnutrição ou de falta de acesso à alimentação suficiente.

Essa, inclusive, é a segunda vez que o país sai dessa lista. O fato já havia ocorrido em 2014, durante o governo de Dilma Rousseff (PT), mas o Brasil retornou ao levantamento após análise dos dados de 2018 a 2020, entre o governo de Michel Temer (MDB) e de Jair Bolsonaro (PL).

O presidente Lula se manifestou após o anúncio, declarando "orgulho e alegria" pela notícia. "Uma conquista histórica que mostra que com políticas públicas sérias e compromisso com o povo, é possível combater a fome e construir um país mais justo e solidário", completou, na época. 



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