Prefeitos cobram ministro da Saúde por kits intubação; novo lote deve durar menos de 6 dias no Ceará

Medicamentos doados pela Vale são um reforço, mas Sesa diz que o estoque do Estado está regular e que não há risco de desabastecimento

Matéria por  Letícia Lima
20 de Abril de 2021 - 18:45
capa da noticia

Os municípios cearenses têm enfrentado problemas com a falta dos "kits intubação" usados no tratamento de pacientes com Covid-19. Em reunião, na segunda-feira (19), com o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, prefeitos cobraram urgência na questão. O Ministério da Saúde enviou ao Ceará, no mesmo dia, nova remessa com mais de 135 mil medicamentos para intubação, fruto de uma doação da empresa Vale, mas o lote não é suficiente para atender a demanda no Estado. 

A previsão da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa) é de que os medicamentos do lote enviado pelo Ministério durem menos menos de seis dias. Isso não representa, contudo, risco de desabastecimento no Ceará. A Pasta ressalta que o Governo do Estado possui estoque próprio, que está regular, e tem ajudado municípios com o envio de medicamentos. O lote doado pela Vale, distribuído pelo Governo Federal, é um reforço diante da pressão que afeta o sistema de saúde.

O "kit intubação" é um item essencial no tratamento de pacientes mais graves da Covid-19, que precisam de ventilação mecânica. São kits formados por 20 medicamentos, entre analgésicos, bloqueadores neuromusucalres e remédios para sedação. 

Com o aumento de casos do novo coronavírus e das internações, a demanda por esses medicamentos cresceu muito, e a rede pública de saúde nos municípios e nos estados tem enfrentado escassez dos "kits".

De acordo com a Sesa, diante do risco de escassez de medicamentos, "estratégias vêm sendo negociadas pelos gestores estaduais e municipais", junto ao Ministério da Saúde e outras instituições, "para minimizar os impactos de desabastecimento dos medicamentos nos serviços de saúde, aqui denominados kit intubação, para o tratamento da Covid-19".

Situação no Ceará

A presidente do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde do Ceará, Sayonara Rodrigues, conta que o problema atinge todos os 184 municípios e que, em algumas cidades, os profissionais têm trabalhado com "pautas" (estoques) de apenas dois, três dias.

"A gente estava trabalhando com medicamento para 48 horas. Está faltando em todo canto. Em todos os 184 municípios cearenses faltam esses insumos".
Sayonara Rodrigues
Presidente do Conselho das Secretarias Municipais de Saúde do Ceará

Esse foi um dos assuntos debatidos, na segunda-feira (19), pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM) com o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga.

O presidente da Associação dos Municípios do Ceará (Aprece), prefeito de Chorozinho, Júnior Castro (PDT), participou do encontro.

Prefeitos cobram ministro

As associações que representam os municípios brasileiros cobraram uma solução para o problema. Segundo Júnior Castro, o ministro prometeu que devem chegar ao Brasil novos medicamentos comprados pelo governo brasileiro no mercado internacional e também vindos de doação. Além disso, citou que o governo espanhol deve ajudar o País com o envio de medicamentos.

"Foi um dos nossos pedidos (por mais "kits intubação") na reunião com o ministro. A gente tem acompanhado essa dificuldade de conseguir os insumos para intubação. A gente vem consumindo só o que tinha de reserva. O Governo Federal já tinha sido alertado sobre o problema e agora chegou a esse momento crítico"
Júnior Castro
Presidente da Associação dos Municípios do Estado do Ceará

Nova remessa para o Ceará

O Governo Federal enviou nova remessa de medicamentos para intubação ao Estado, a partir de uma doação da empresa Vale. Esse lote - o terceiro enviado pelo Ministério da Saúde ao Ceará neste ano - contém apenas quatro remédios dos 20 que compõem o "kit intubação".

As empresas Vale e outras no Brasil doaram 2,3 milhões de medicamentos de intubação para o Ministério da Saúde distribuir aos estados e municípios. No caso do Ceará, são mais de 135 mil remédios recebidos - uma parte vai para a rede da Secretaria de Saúde do Estado, outra para os municípios e uma parcela para equipamentos federais no Estado.

O estoque enviado pelo Ministério deve durar menos de seis dias. Mesmo que represente um alívio no curto prazo, o material só vai atender uma parte da demanda do Estado e dos municípios. Para suprir os mais de 1.400 leitos de UTI Covid-19 no Estado, por exemplo, são necessários mais medicamentos. 

Segundo a Sesa, no âmbito do lote enviado pelo Governo Federal, os medicamentos Cisatracúrio 10 mg/pó (33.850) e Fentanila 0,05 mg/ml (55.940) devem ser suficientes para o consumo por 5,9 dias. O Propofol (24.010) tem estoque para 3,9 dias de uso. Já o medicamento Midazolam 10 mg/2ml (21.850) terá disponibilidade para menos de um dia.

De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a aquisição de medicamentos do "kit intubação" é responsabilidade das secretarias de saúde municipais, estaduais e do Ministério da Saúde. No entanto, neste momento de gravidade da pandemia, a responsabilidade maior acaba sendo do Governo Federal.  



Você atingiu o limite de matérias gratuitas desse mês, adquira uma assinatura digital para desbloquear esta notícia e mais do melhor jornalismo local

Já é assinante? Entre com sua conta
Logo

Tenha acesso ilimitado ao maior portal de notícias do Nordeste

DN FREE

Crie uma conta gratuita e desbloqueie o conteúdo completo.
Gratuito
Acesse mais conteúdos de forma gratuita
Fique conectado às principais notícias e assuntos que movimentam o Nordeste
Explore conteúdos com credibilidade e mantenha-se sempre bem informado

DN MENSAL

Acesso ilimitado a todo conteúdo digital.
R$ 1200 /mês

Tudo do plano gratuito, e:

App Diário do Nordeste
Diário do Nordeste: Assinatura Digital
Diário do Nordeste: Assinatura Física

DN ANUAL

60 dias gratuitos. Acesso ilimitado a todo conteúdo digital.
R$ 12000 /ano

Tudo do plano gratuito, e:

Diário do Nordeste: Assinatura Digital

Teste Cartão Rede

Teste Cartão
R$ 1000 /mês

Tudo do plano gratuito, e:

Teste Limitação

Teste-teste
R$ 990 /mês

Tudo do plano gratuito, e:

Diário do Nordeste: Assinatura Digital

Precisa de Ajuda?

Entre em contato com a nossa central de atendimento: