Entenda em cinco pontos a crise da cúpula militar com Jair Bolsonaro

Os comandantes das três Forças Armadas pediram demissão conjunta na última terça-feira (30), ato inédito desde 1985

Matéria por  Redação
31 de Março de 2021 - 16:50
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O Governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) passa por novas turbulências políticas após a demissão dos comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica em meio a uma reforma ministerial. Os substitutos para o comando das Forças Armadas ainda serão indicados pelo presidente. 

Uma reunão de nomes cotados para os cargos com o novo ministro da Defesa, general Braga Netto, é esperada para esta quarta-feira (31).

A demissão dos ocupantes do alto escalão das Forças Armadas faz parte de uma crise política maior envolvendo o presidente e a corporação militar, passando pelas negociações com o "centrão" - grupo de partidos sem uma linha ideológica bem definida - em troca de apoio ao Governo.

Entenda em cinco pontos a crise do Governo Bolsonaro com os militares:

1) Demissão do ministro da Defesa

O ex-ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, foi demitido pelo presidente Jair Bolsonaro na última terça-feira (30).

Azevedo era um ministro discreto e defendia a separação entre as Forças Armadas e a política. Um posicionamento visto de maneira diferente por Bolsonaro, que já insunou rupturas institucionais e incitou a radicalização da tropa em algumas declarações.

Os comandantes das Forças Armadas pediram demissão no dia seguinte à demissão de Azevedo e Silva.

General Edson Leal Pujol comandava o Exército desde o início do Governo Bolsonaro. Junto dele, também saíram os chefes da Marinha e da Aeronáutica
Legenda: General Edson Leal Pujol comandava o Exército desde o início do Governo Bolsonaro. Junto dele, também saíram os chefes da Marinha e da Aeronáutica
Foto: AFP

2) Radicalização da tropa

O presidente incomodou a cúpula das Forças Armadas no Brasil com declarações antidemocráticas e que incitavam atos radicais.

Em maio de 2019, após promover uma reunião no Palácio da Alvorada com as Forças Armadas, Bolsonaro foi a uma manifestação antidemocrática com discurso insinuando que as forças estavam com ele.

Além disso, no ano passado, ele comemorou o aniversário do golpe militar, enquanto a cúpula militar manifestou posicionamento contrário.

3) Politização dos quarteis

O presidente Jair Bolsonaro associa, em declarações, as Forças Armadas ao seu Governo. Nos bastidores, ele passou a cobrar da cúpula militar postagens nas redes sociais de defesa do Governo. C

omandantes foram contra a indicação do general Eduardo Pazuello para o Ministério da Saúde, alegando a mistura da imagem das Forças Armadas com a do Governo Federal.

4) Reforma ministerial

A demissão dos comandantes das Forças Armadas faz parte de um contexto de reforma ministerial que Jair Bolsonaro vem promovendo.

Na última segunda-feira (31), o presidente trocou seis ministros, nomeando indicados de partidos do "centrão" para algumas pastas, de olho em consolidar a base política. 

5) Militares indicados para cargos

Nessa reforma ministerial, Bolsonaro indicou outros militares que já ocupavam o primeiro escalão para chefiar ministérios como o da Defesa.

No lugar de Azevedo e Silva, foi indicado o general da reserva Walter Souza Braga Netto, ex-chefe da Casa Civil. Ele é visto com reservas pelos militares, por ser muito ligado ao presidente. 



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