Disputa por capital político na vacinação antecipa estratégias para as eleições de 2022

Analistas apontam, contudo, que a influência do tema no pleito dependerá de alguns fatores

Matéria por  Luana Barros
14 de Junho de 2021 - 09:00
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Antes mesmo da chegada da vacina contra a Covid-19 no Brasil, a imunização da população contra a doença tem sido alvo de disputa política. Com o avanço da vacinação, a busca por capital político fica mais evidente.

Desde a compra dos imunizantes, embates entre governadores e o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) até a investigação da CPI da Covid no Senado, diferentes atores políticos dão sinais de que a politização em torno das doses deve ter impacto direto nas eleições de 2022. 

Analistas políticos entrevistados pelo Diário do Nordeste, no entanto, apontam que a influência do tema no próximo pleito depende de dois fatores: os desdobramentos da pandemia - inclusive com a possibilidade de uma terceira onda - e o cumprimento do cronograma de vacinação da população. 

O ponto central é a percepção da população quanto à vacinação. Segundo pesquisa Datafolha, divulgada em maio, nove em cada dez brasileiros com 18 anos ou mais pretendem se vacinar contra a Covid-19. O número representa mais de 91% da população brasileira - um saldo positivo que futuros candidatos querem capitalizar para a disputa eleitoral. 

Mudança de discurso

Pesquisadora do Laboratório de Estudos sobre Política, Eleições e Mídia da Universidade Federal do Ceará (Lepem/UFC), a socióloga Paula Vieira observa que o discurso do Governo Federal, assim como dos parlamentares aliados, já vem passando por uma transformação quanto à imunização. 

"Os governistas não se colocam contrários à vacinação, como era no início. Já não se questiona mais a necessidade de vacinação", exemplifica. "Agora, a disputa é para trazer o ganho para si". 

Professora da UFC, a cientista política Monalisa Soares aponta o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, por exemplo, como alguém que está reforçando o papel do Palácio do Planalto na vacinação da população. 

"Isso tem a ver com a esperança da população, o desejo de voltar à normalidade. Tanto que o Governo captura isso. O ministro diz que quer deixar um legado de imunização". 
Monalisa Soares
Cientista política e professora da UFC

A postura passou a ser adotada, inclusive, por Jair Bolsonaro. No dia 1° de junho, por exemplo, o presidente comemorou a marca de 100 milhões de doses de vacina distribuídas aos estados - contudo, o número só seria alcançado no dia seguinte, 2. 

No dia 1° de junho, Bolsonaro comemorou a marca de 100 milhões de doses de vacinas distribuídas aos estados
Legenda: No dia 1° de junho, Bolsonaro comemorou a marca de 100 milhões de doses de vacinas distribuídas aos estados
Foto: José Leomar

O discurso tem se expandido para aliados governistas - sejam ministros de Estado ou deputados federais e senadores. Mesmo parlamentares estaduais e municipais aliados, que antes duvidavam da eficácia da vacina contra a Covid-19, passaram a, por exemplo, acompanhar a chegada de doses aos aeroportos dos estados. 

São mudanças que podem ter impacto direto nas estratégias para a campanha eleitoral: "Os candidatos (ao Legislativo) vão dizer o quanto apoiaram, o que pleitearam, o quanto conseguiram de vacina para determinada localidade", exemplifica Paula. "A tendência é que se agregue à vacina, trazendo para si algum tipo de responsabilidade", completa. 



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