Caso Gaia: 10 anos depois, assassino de italiana em Jericoacoara não foi identificado e investigação está parada

Apesar de a Polícia dizer em nota que a investigação segue em andamento, na prática, não há diligências sendo feitas e não há movimentação no inquérito há mais de um ano

Escrito por Emerson Rodrigues emerson.silva@svm.com.br
24 de Dezembro de 2024 - 07:00
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Passavam poucos minutos das 13 horas do dia 25 de dezembro de 2014 quando um casal de turistas de São Paulo caminhava pela trilha que dá acesso ao ponto turístico conhecido como Pedra Furada, na Vila de Jericoacoara, no litoral oeste do Ceará. Nesse local, é proibido o tráfego de veículos. Ao se afastar um pouco do caminho feito usualmente, o casal avista um corpo caído perto de uns arbustos.

Eles imaginavam que estavam diante de alguém passando mal, mas ao se aproximarem, presenciaram o que ninguém gostaria de ver, principalmente no dia de Natal. A pessoa caída com o rosto na areia estava morta: era a turista italiana Gaia Barbara Molinari, de 29 anos.

Começava ali um dos casos mais rumorosos, polêmicos e misteriosos já registrados na Polícia do Ceará. A frase "Quem matou Gaia" passou a ser ouvida em muitos lugares. No início, a repercussão internacional aumentou a pressão por respostas. No entanto, depois de 10 anos, ainda não há solução e o assassino de Gaia nunca foi identificado.

Para contar a história de Gaia Molinari e das pessoas envolvidas direta ou indiretamente, a editoria de Segurança do Diário do Nordeste lançou a 2ª temporada do podcast Sigilo Quebrado. O programa, intitulado Caso Gaia: 10 anos sem respostas, já tem três episódios no ar em todas as plataformas de áudio e no YouTube do DN. 

Mais dois serão lançados nos próximos dias. O 4º episódio nesta terça-feira (24) e o 5º e último da temporada, no início de 2025. 

RELATÓRIO 

Duas pessoas foram presas e, soltas posteriormente, por falta de provas. Dezenas de interrogatórios foram realizados, assim como foram coletadas amostras de DNA de mais de 20 pessoas. Nada conclusivo. 

A Polícia Civil do Ceará trabalhou no caso Gaia? Respondo sem medo de errar: trabalhou e muito. Esse trabalho foi feito corretamente? Nem sempre. 

No último relatório do caso, feito em 2017 pela Polícia Civil do Ceará, a delegada Patrícia Bezerra assina o documento. Ela diz que "tecnicamente, nada mais há a fazer, de modo que continuar as investigações redundaria em injustificável desperdício de tempo e recursos que poderão ser canalizados para outros Inquéritos mais recentes e com melhores possibilidades investigatórias".

Contudo, nem todas as pessoas que participaram do caso se conformaram com o resultado. Muitos pensam diariamente sobre detalhes, recebem dicas e sonham com o desfecho ideal da investigação: o indiciamento, denúncia e condenação do verdadeiro culpado pelo crime. Se isso vai acontecer dependerá de como as autoridades vão atuar nos próximos dias, meses, anos, e do empenho de cada um. 



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