O Príncipe do Cariri e o delírio bolsonarista na Ucrânia

Matéria por  Xico Sá
17 de Fevereiro de 2022 - 11:40
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Esse negócio de evitar a guerra da Ucrânia, como deliram os bolsominions a respeito dos poderes universais do seu líder, me levou direto ao Príncipe Ribamar da Beira Fresca, autoridade que reinou no Cariri até 1987. Este sim uma realeza que interferiu nos conflitos do Vietnã, cessou guerrilhas no Congo ao lado de Pelé, foi diplomata na crise do petróleo de 1973, escreveu manifestos da Revolução dos Cravos e deu um basta na contenda Irã X Iraque, no seu último giro por terras do estrangeiro.

O Príncipe só não resolvia problemas nacionais — não iria se meter com essas miudezas —, sua especialidade eram os dramas épicos da política internacional. Não que lhe faltassem planos regionais ousados na gaveta. Exemplos: as mudanças nos cursos dos rios Salgado e Salamanca e uma fábrica estatal para desentortar bananas.

Na turma da Santa Luzia, a rua da sorveteria Beira Fresca, a gente vivia de inventar histórias sobre as façanhas deste personagem. Doido nada, doido somos nós enfiados na realidade mesquinha e nas tretas das redes sociais. José Gomes Menezes era um carpinteiro de primeira. Um homem que nos permitia brincar de Gabriel García Márquez e fazer o nosso próprio realismo-fantástico.

Doido é quem espalha o meme do presidente armamentista que congelou a guerra entre russos e ucranianos. O Príncipe de Juazeiro nunca fez mal a ninguém, era um fidalgo, ao modo quixotesco, um inocente homem que sonhava em casar com a Princesa Isabel — antes de lhe apresentarem a Gioconda de Salvador Dali, por quem se apaixonou imediatamente.

Doido é quem ainda faz corrente com os delírios presidenciais, um mundo paralelo que funciona nos porões da internet. Ribamar da Beira Fresca, aqui escreveu Wilton Bezerra — meu comentarista predileto desde a rádio Progresso — era apenas uma figuraça querida da cidade.

Curiosidade para quem se interessar conhecer mais sobre o universo do Príncipe: no filme de ficção “Big Jato” (2016), dirigido por Claudio Assis, ele é interpretado pelo cantor e compositor Jards Macalé e reina no povoado de Peixe de Pedra. Até a próxima.

*Esse texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor.



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