Dinheiro esquecido: a saga burocrática por um punhado de reais

Brasileiros enfrentam processo burocrático e erros em sites para resgatar alguns trocados

Matéria por  Victor Ximenes
09 de Março de 2022 - 07:00
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Quando estourou a história de que milhões de brasileiros poderiam resgatar dinheiro esquecido em contas bancárias, foi uma celeuma. Um tsunami de pessoas correu para o Banco Central (BC) na expectativa de encontrar um baú que pudesse encolher a montanha de despesas e inflação que o povo precisa escalar todos os meses.

Na primeira vez, foi tanta gente acessando que o sistema nem deu conta. O BC precisou arrumar a casa e adiar os procedimentos. Muita ansiedade se criou e, quando foi finalmente liberada a caça ao dinheiro perdido, veio a frustração.

Na prática, os trabalhadores passam por um procedimento burocrático, falho e cansativo para, no fim das contas, catar um punhado de reais — quando não são apenas centavos.

Conta ouro e prata

Um dos passos obrigatórios é ter conta nível ouro ou prata no site do Governo Federal, o gov.br. A diferenciação das categorias se dá, conforme o Governo, por questão de segurança. Mas se o objetivo é garantir segurança digital aos usuários, por que não exigir apenas o nível mais seguro já no ato da criação da conta no site?

O processo de migração entre as categorias apresenta falhas constantes. Conforme relatos de usuários, em algumas situações, fica-se preso em um limbo, sem conseguir concluir o procedimento obrigatório.

Toda essa burocracia torna-se ainda mais indigna quando o cidadão finalmente atravessa o mar de processos e chega à recompensa.

Muitos surpreenderam-se negativamente, ontem (7), quando viram no saldo centavos ou, em outros casos, algumas dezenas de reais. Todo dinheiro é bem-vindo, mas passar por rodadas de estresse e frustrações com os sistemas problemáticos do Governo para embolsar uns trocados é — para usar o linguajar que melhor define a situação — de lascar.

Seria muito mais transparente e objetivo se, já nos primeiros passos, o Banco Central revelasse quanto cada trabalhador tem disponível para sacar. Isso pouparia o tempo dos que não se interessassem pelos baixos valores.

Ao fim da saga, a impressão é que o trabalhador foi feito de trouxa.



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