Análise: Retorno do auxílio emergencial é questão de tempo; resta saber o formato

Após falas de Guedes e Bolsonaro, retorno do auxílio é praticamente certo. Faltam ajustes e arredondar negociações sobre o novo modelo

Matéria por  Victor Ximenes
09 de Fevereiro de 2021 - 11:09
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A esta altura, não sobram dúvidas quanto ao retorno do auxílio emergencial. Depois das últimas declarações de integrantes do alto escalão do Governo Federal, como Ricardo Barros, Paulo Guedes e, por último, do próprio presidente Jair Bolsonaro, todos admitindo a possibilidade de prorrogação do benefício, o que antes era mera expectativa agora está à beira da concretude. As falas, aliás, indicam que internamente as negociações devem estar avançadas.

No Congresso, o clima também é favorável. Os novos comandantes da Câmara (Arthur Lira) e do Senado (Rodrigo Pacheco) já deram sinal verde para as discussões.

Apesar do temor de que as novas rodadas de pagamento deteriorem as já oxidadas contas públicas, é fumegante a pressão política e popular para que a União volte a ajudar pessoas em situação de vulnerabilidade, sobretudo com a piora da pandemia.

Ganho político

Para o Governo Federal, embora haja o impacto financeiro, o ganho político serial considerável. Diante da queda de popularidade do presidente da República, apontada em recentes pesquisas, a ressurreição do auxílio poderia ajudar a recuperar a imagem do mandatário. Portanto, observa-se uma miríade de fatores que convergem para a retomada dos pagamentos.

Formatação ainda em debate

Resta saber o formato.

Esqueça a abundância de depósitos de 2020. O provável é que as novas rodadas sejam bem mais enxutas, atingindo um público bem menor - Guedes chegou a dizer que seria viável pagar para a metade de beneficiários, o que daria em torno de 30 milhões de pessoas. Parcelas de R$ 600 também devem estar fora deste novo escopo.

De acordo com matéria da Folha de São Paulo, veiculada nesta semana, a ideia do Governo Federal é limitar as parcelas a R$ 200 e atrelar o pagamento aos trabalhadores autônomos à realização de cursos de qualificação. O benefício seria, inclusive, rebatizado de Bônus de Inclusão Produtiva (BIP).

Mas nada é certo até agora. Tal proposta, caso se torne oficial, ainda precisaria passar pelo Congresso, onde há mais de uma dezena de outros projetos para trazer de volta o auxílio emergencial.

De todo modo, a discussão agora não é se o auxílio vai voltar, e sim como.

 



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