Um VAR sem-vergonha
Leia a Coluna desta quinta-feira (24)
Abelardo Barbosa, o Chacrinha, foi notável apresentador de programas de auditório da televisão brasileira. Criou bordões, que marcaram, como “Alô, Terezinha!” e “Eu não vim para explicar, vim para confundir”. Chacrinha morreu em junho de 1988, deixando como legado a marca inconfundível de seu talento.
Sim, mas o que o saudoso apresentador tem a ver com o futebol? Resposta simples: o bordão “Eu não vim para explicar, vim para confundir”, que tem tudo a ver com o uso do VAR na arbitragem nacional. Há, porém, uma diferença: Chacrinha dizia com humor, na brincadeira. Já o VAR confunde, prejudica e reitera.
Em momentos, há uma falta de pudor tão grande que gera revolta e indignação. Foi o caso do pênalti marcado contra o Ceará na Fonte Nova. Não houve a penalidade. Como brigar com as imagens? Então para que serve o VAR? Para confundir ou para aclarar? O pênalti confirmado a favor do Bahia foi uma vergonha.
Acumulam-se as reclamações contra decisões tomadas com base nas imagens do VAR. Protestos por toda parte. Vai continuar assim? Pelo visto, vai. Lamentavelmente todos estarão expostos a erros grosseiros de um VAR sem-vergonha.
Absurdo
Pior que a marcação do pênalti foi ver a manifestação do Comitê Consultivo de Especialistas Internacionais, da CBF, admitindo como legítima e justa a marcação do pênalti contra o Ceará. Mais ainda: com o apoio de Rodrigo Cintra, diretor de arbitragem da CBF. Quanta falta de pudor.
O que esperar?
Pelo visto, o VAR, em determinadas situações, continuará tendo suas imagens ignoradas pelos gênios da arbitragem nacional. Gênios como os integrantes do Comitê Consultivo de Especialistas Internacionais, da CBF. Gênio como Rodrigo Cintra. Assim, não há como esperar uma melhoria nos padrões.
Dúvidas
A propósito, será o VAR cem por cento seguro nas imagens que projeta? Não há como alguém inescrupuloso alterar aquelas linhas que são traçadas? São perguntas que ficam no ar. Em um mundo de desconfianças e fraudes, há necessidade de todo tipo de questionamento.
Explicação
É preciso deixar bem claro: o VAR é um sistema de vídeos para tirar dúvidas no futebol. Mas é o homem quem decide. É o homem que interpreta. Então, tudo continua dependendo do caráter e da formação ética das pessoas. Quem não tem vergonha afronta as imagens. E tudo fica por isso mesmo.
Saudade
Volto à década de 1950. Não havia o VAR, mas havia gente competente, íntegra, justa, responsável. Minha homenagem aos árbitros daquele tempo. Erravam. Eram humanos. Mas há um detalhe: não tinham a oportunidade de rever os lances como os árbitros de hoje. O VAR da época era a consciência, a decência, o respeito, a vergonha na cara.