Técnicos mais valorizados que os jogadores
Leia a Coluna desta quarta-feira (14)
O mundo mudou mesmo. O futebol virou de cabeça para baixo. As cambalhotas da vida geram mais surpresas que os acrobatas dos grandes circos. Nunca imaginei que veria o que hoje estou vendo no futebol brasileiro. É algo que espanta os torcedores mais antigos.
Donde já se viu o treinador ser mais valorizado que os jogadores. Não sei a partir de que época os treinadores passaram a ocupar status de primeira grandeza. Verdadeiros sábios, contratados a peso de ouro. Verdadeiros gênios. E de comportamentos variados.
Em 1958, o futebol brasileiro era vitorioso, não porque tinha no banco o técnico Vicente Feola, mas porque em campo estavam Gilmar, Bellini, Garrincha, Pelé, Didi e Nilton Santos. Em 1962, não porque tinha no banco o técnico Aymoré Moreira, mas porque em campo estavam quase todos os campeões de 1958.
O Brasil foi tri, tetra e penta, não porque tinha Zagallo, Parreira e Felipão no comando, mas porque tinha Pelé, Gerson, Jairzinho, Bebeto, Romário, Ronaldo Fenômeno, Rivaldo, Ronaldinho...
Os jogadores, com versatilidade, competência e talento, ganharam cinco Copas do Mundo para o Brasil. Os técnicos foram importantes, mas nos limites de suas atribuições. Hoje, há treinador que não é Deus, mas pensa que é.
Xenofobia
Longe de mim o preconceito contra jogadores e técnicos estrangeiros. Que venham e vençam. E façam novamente brilhar pelos gramados do mundo a nossa arte diferenciada de jogar futebol. Apenas não via como não vejo a necessidade de trazer treinador de fora. Mas, tudo bem. Vida que segue.
Brasileiros
Treinadores brasileiros já comandaram seleções estrangeiras que fizeram sucesso em Copas do Mundo. Em 1966, Portugal teve a sua melhor campanha em campeonatos mundiais. Tempo dos craques Eusébio, Coluna, Zé Augusto, Torres e Antonio Simões. Sabem quem era o treinador? O brasileiro Otto Glória.
No Peru
O craque Didi, bicampeão mundial pelo Brasil como jogador, foi o técnico da Seleção Peruana na Copa do Mundo de 1970 no México. Fez um belo trabalho, chegando às quartas de final, quando perdeu para o Brasil por 4 a 2. Na seleção do Peru, atuaram craques como Cubillas e Gallardo.
Na África
O brasileiro Parreira comandou a Seleção da África do Sul na Copa do Mundo de 2010. Parreira havia conquistado o tetra mundial pelo Brasil em 1994 nos Estados Unidos. Antes dele, o também brasileiro Joel Santana foi treinador da África do Sul. Zico foi o treinador do Japão na Copa de 2006.
Reciprocidade
Ora, citaria muitos outros casos de brasileiros que comandaram seleções estrangeiras. Como eu poderia ser contra a vinda de Ancelotti ou de qualquer outro treinador de fora. Questão de reciprocidade. Tomara que ele dê certo e seja feliz. Apenas achei exagerado o preço pago. Como quem paga não sou eu. Dane-se.