Por que estamos perdendo tanto?
Confira a coluna de Tom Barros desta quarta-feira (23)
É muito difícil sair de uma geração vencedora para uma geração perdedora. Os tempos mudam. Tudo passa. Faz parte do jogo da vida. Mas a aceitação dói. Aceitar perder? Não dá. Por mais que se busque a conformação, o anseio de continuar ganhando é mais forte e resistente.
Vários são os motivos pelos quais o futebol brasileiro passou a ser perdedor pelos gramados do mundo. Passaram Pelé e Garrincha. E, depois deles, outros craques também passaram. Passaram os campinhos de várzea. Passaram as peladas no meio da rua. Passou a nossa escola.
Deixaram de lado a nossa matriz. Foram buscar o modelo europeu. Ora, o modelo europeu somente evoluiu, quando veio beber água pura, doce, cristalina, nos mananciais do até então futebol campeão do mundo. Renunciamos à nossa maneira de ser e de jogar. Hoje não somos nem uma coisa nem outra.
Não esqueçam jamais: em plena Copa do Mundo, no coração de um país pentacampeão mundial, a Alemanha aplicou 7 a 1 na Seleção Brasileira. Depois disso, nunca mais a Canarinho tomou jeito. Foi o fim.
Lágrimas
Nunca esqueci o Thiago Silva, em desespero, chorando, quando da série de cobranças de pênalti diante do Chile, na Copa 2014. Ele era capitão da equipe, mas pediu para não bater, pois estava inseguro. Eu entendi. Thiago foi muito criticado. Incompreendido. São as fragilidades humanas. Ele sabia que o time tinha limitações.
Lágrimas diferentes
Na Suécia, na Copa do Mundo de 1958, lágrimas brasileiras foram derramadas no gramado do Estádio de Rasunda, em Estocolmo, logo após a conquista do mundial pela Seleção Brasileira. Lágrimas da confiança, da segurança, da vitória. Vi Pelé, Gilmar e Nilson Santos em prantos. A Canarinho de 1958 não sabia o que era medo.
Formação
A Seleção Brasileira foi vitoriosa, quando utilizou o aprendizado da improvisação, ensinamento exclusivo, só encontrado nos campinhos suburbanos. Foi nesses campinhos que os monstros sagrados, Pelé e Garrincha, fizeram o doutorado. Sábios doutores forjados na magia das bolas de meia.
Invictos
Com Pelé e Garrincha em campo, jamais a Seleção Brasileira soube o que era uma derrota. Hoje, em campo com a presença de todos os ídolos brasileiros que atuam na Europa, a Seleção Canarinho sofreu humilhação, tomando goleada e olé da Seleção da Argentina. Como não sentir saudade dos tempos de Pelé e Garrincha?
Origem
A meu juízo, se a Seleção Brasileira não retornar às origens de sua formação, continuará padecendo horrores pelo mundo afora. É fácil culpar os treinadores, demitindo-os em série. Amigos, pode ser que eu esteja enganado, mas entendo que o Brasil começou a fracassar, quando renunciou à sua identidade.