O uniforme da Seleção Brasileira é um manto intocável
Leia a Coluna desta quarta-feira (30)
A CBF e seu patrocinador não são os donos da Seleção Brasileira. A proposta de mudar a cor do uniforme número dois é uma afronta às glórias da camisa azul. A sugestão combina com quem comanda o atual descalabro do nosso futebol. Não por acaso desmoralizado pela Alemanha (1 x 7) e pela Argentina (4 x 1), com olé e tudo.
Se querem aparecer, busquem outros meios. Evitem jogar gasolina no fogo das paixões políticas. Quero acreditar que as próprias autoridades da República devem intervir, exigindo respeito às tradições e à história. A camisa azul (uniforme 2) foi usada no primeiro título mundial do Brasil nos gramados da Suécia em 1958.
A proposta da cor vermelha é de cunho ideológico. É uma resposta. Visa a neutralizar a corrente política que misturou o uniforme amarelo do Brasil ao teor de suas propostas. Tal fusão gerou, com razão, a repulsa dos adversários. E a Seleção Brasileira, como consequência, passou a ser vítima da má vontade dos insatisfeitos com a situação.
Por favor, não misturem a Seleção Brasileira com as disputas políticas. Deixem-na fora da intolerância predominante no Brasil. A CBF fez perdedor um futebol que era vitorioso e belo. Agora quer sepultar o manto de sua primeira conquista. Basta!
Homenagens
As glórias no futebol são eternas. As glórias da política podem ser passageiras. No futebol, os heróis sempre serão heróis. Na política, dependerá da corrente que estiver no poder. Na política, o herói de um tempo poderá ser amaldiçoado no futuro. Sobre isso há muitos exemplos pelo mundo afora.
Eternos
Pelé e Garrincha no Brasil. Beckenbauer na Alemanha. Johan Cruyff na Holanda. Puskás na Hungria. Maradona e Messi na Argentina. Kopa e Fontaine na França. Bobby Charlton na Inglaterra. Obdulio Varela e Ghiggia no Uruguai. Iniesta na Espanha. Paolo Rossi na Itália. E tantos outros. Todos tiveram problemas, mas jamais saíram do panteão da glória.
Diferente
Em 1972, o ex-presidente Castelo Branco, considerado herói no regime militar, teve seus restos mortais guardados no Mausoléu Castello Branco, no Palácio da Abolição. Há muito, os seus restos mortais foram retirados de lá. E agora ali será um monumento em homenagem aos líderes abolicionistas. Tudo mudou.
Revogação
A Universidade Federal do Rio Grande do Norte, há poucos dias, revogou o título de Doutor Honoris Causa concedido ao ex-presidente Humberto de Alencar Castelo Branco. O título havia sido concedido em 1966, quando ele ainda era considerado um herói pelo regime militar. Tudo mudou.
Conclusão
Monumentos e estátuas de Lenin e Stalin, heróis da Revolução Russa de 1917, foram derrubados em vários países do leste europeu. Passaram. Então, é melhor deixar o futebol e a política nos seus devidos lugares. Daqui a pouco, a camisa da Seleção Brasileira será uma colcha de retalhos, mudando de cor de acordo com quem estiver no poder.
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