Bahia x Ceará, uma história na fonte
Leia a coluna de Tom Barros
É um dos mais importantes clássicos do Nordeste. O Bahia está mal. Quatro jogos sem vitória. E uma “doidinha” no Mineirão, goleado (3 x 0) pelo Cruzeiro. Nem de longe tem o perfil do técnico Rogério Ceni. Há algo inexplicável nos bastidores. Imaginem só a pressão que vem para cima do Ceará.
Ao contrário do Bahia, o Ceará está bem. Quatro jogos, com duas vitórias sobre dois dos chamados times grandes do futebol brasileiro: 2 a 0 diante do Grêmio e 2 a 1 diante do Vasco da Gama. Uma campanha surpreendente para começo de temporada. Hoje, um capítulo muito especial.
No Bahia, três profissionais conhecem bem o Vozão: o técnico Rogério Ceni, o meia Caio Alexandre (ex-Fortaleza) e o atacante Erick Pulga (ex-Ceará). Os dois primeiros como adversários. O jovem Erick Pulga, além de jogador, foi torcedor, de arquibancada, do Vozão.
Independentemente da pífia campanha inicial, o Bahia sempre foi e sempre será um eterno complicador, máxime quando o jogo é na Fonte Nova. Uma coisa é certa: vai ter pressão para cima do Ceará.
Recordações
Sempre que Bahia e Ceará enfrentam-se no Estádio da Fonte Nova, dispara em mim o saudosismo de uma das mais bonitas disputas já vista entre ambos. Foi na Taça Brasil de 1959. Por sinal a primeira Taça Brasil. O Bahia foi campeão. Mas inesquecível foi a disputa de três partidas com o Ceará.
Dureza
O regulamento da Taça Brasil era assim: se após os dois jogos (ida e volta) houver empate em pontos, haverá um terceiro jogo (desempate) na casa do mandante. Assim, no PV, 0 x 0. Na Fonte Nova, 2 x 2. No terceiro jogo, também na Fonte Nova, 1 x 1. Foi preciso uma prorrogação. Aí, no último minuto, Léo fez o gol que classificou o Bahia.
Inacreditável campeão
Foram três jogos e uma prorrogação de 30 minutos para definir a classificação entre Bahia e Ceará. Na decisão da Taça Brasil de 1959, o Bahia também teve de enfrentar o Santos três vezes. Na Vila Belmiro, o Bahia ganhou (2 x 3). Na Fonte Nova, o Santos ganhou (0 x 2). No Maracanã, jogo desempate, o Bahia ganhou (3 x 1). Bahia campeão.
Atuação fantástica
No terceiro jogo entre Bahia e Ceará, na Fonte Nova, quem atuou foi o goleiro Gilvan Dias, que era reserva de Harry Carey. Gilvan foi avisado pouco tempo antes do jogo, pois Harry Carey, contundido, não teve condições. Havia um temor muito grande sobre como se comportaria Gilvan. Resultado: Gilvan foi o melhor do jogo.
Lenda
Durante anos perdurou a lenda de que foi de Gilvan, nesse jogo, a mais fantástica exibição de um goleiro na Fonte Nova. Como goleiro, Gilvan Dias foi campeão cearense pelo Gentilândia e pelo Ceará. Como técnico, foi campeão cearense pelo América (1966) e vice-campeão da Taça Brasil em 1968 pelo Fortaleza. Ele foi também repórter e comentarista.
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