A Copa dos milhões de dólares
Leia a coluna de Tom Barros desta segunda-feira (30)
Os valores pagos pela FIFA aos clubes participantes da Copa do Mundo 2025 são astronômicos. É dinheiro que eu não sei contar. O futebol espetáculo ganhou espaços em campo e fora de campo. Fascina pela essência de sua prática e pela riqueza que atrai tanta gente.
Não por acaso, qualquer criança, se perguntada sobre o que pretende ser quando crescer, a maioria responde: jogador de futebol. Quem não quer a fama, a vitória, a apoteose, o título, a riqueza, o aplauso, a glória, a tietagem, a ovação e tudo daí decorrente?
Na fase de grupos, cada time recebe 15,2 milhões de dólares, mais dois milhões de dólares por vitória e um milhão de dólares por empate. Oitavas de final: 7,5 milhões de dólares. Quartas de final, 13,1 milhões de dólares. Semifinais, 21 milhões de dólares. Vice-campeão, 30 milhões de dólares. Campeão, 40 milhões de dólares.
Pergunta simples: como concorrer com esta gente? Outra pergunta: se a FIFA paga valores tão elevados aos participantes, quanto será o lucro líquido da entidade ao final da realização?
Real
É, amigos, Ceará e Fortaleza fazem milagres. No Vozão e no Leão, não se fala em milhões de dólares. A nossa linguagem, o nosso dinheiro é o real. Sim, a moeda brasileira tão desvalorizada. Um dólar está em torno de R$ 5,49; o euro em torno de R$ 6,43; a libra em torno de R$ 7,52. Meu Deus...
Rende
O real só rende na música “Real de Amor”, na interpretação de Fagner e Zeca Baleiro: “Com um real de amor que tu me dás, faço a flor na mais completa escuridão, desafio o terror da solidão e a transformo em pó na multidão; o real de amor, que tu me dás, generoso se faz em minha mão, mata a minha fome e multiplica o pão”.
Outro mundo
Em termos financeiros, o futebol cearense está distante anos-luz do futebol europeu. Por isso mesmo, valorizo muito mais quem faz futebol aqui, máxime pelos parcos recursos. Nós não sabemos o que seja milhões de dólares. Nós sabemos o que é abnegação, doação, sacrifício.
No interior
Agora, imaginem como é possível fazer futebol no interior cearense? Não por outro motivo, clubes como Guarani de Juazeiro do Norte, Icasa também de Juazeiro do Norte e Guarany de Sobral entraram em crise, deixando de participar da Série A estadual. Custa caro manter time de futebol.
Conclusão
Cada vez mais, o futebol profissional exige compromisso, responsabilidade, doação. Otimizar os valores recebidos é um desafio. Uma coisa é ser celebridade de time rico. Outra coisa é jogar em times comuns. É bom frisar: nem todo jogador vive nadando em dinheiro. Há uma outra realidade, longe dos milhões de dólares da FIFA.
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